Em mercados

BCE anima mercado com sinalização de fim de estímulos, mas juros baixos pressionam euro

Autoridade monetária europeia indica manutenção de estímulos até dezembro, mas com volume menor em 15 bilhões de euros no quarto trimestre do ano

Mario Draghi, BCE
(Ralph Orlowski/Reuters)

SÃO PAULO - Um dia após o Federal Reserve elevar pela segunda vez no ano a taxa de juros norte-americana, o Banco Central Europeu decidiu manter os juros locais a uma taxa marginal de 0,25% ao ano. A autoridade monetária informou, nesta quinta-feira (14), que a política de estímulos via compra de títulos públicos (Quantitative Easing) continuará até dezembro, mas com reduções para o último trimestre.

Segundo o comunicado, o programa deve manter o atual volume de 30 bilhões de euros em recompras até setembro. A partir dali, se a inflação seguir indicando uma retomada, haverá redução para 15 bilhões de euros mensais nos estímulos até dezembro. O BCE sinalizou planos para encerrar a política ao final de 2018.

O anúncio e a clareza adotada pela autoridade monetária foram bem recebidos pelos investidores, com os principais índices acionários europeus ampliando ganhos. Às 10h01 (horário de Brasília), o alemão DAX subia 0,40%, a 12.942, ao passo que o francês CAC avançava 0,68%, a 5.490.

No mercado de câmbio, a perspectiva de juros baixos até meados do ano que vem pressiona o euro. A moeda europeia chegou a apresentar reação positiva imediatamente após o comunicado, mas logo inverteu tendência e recuou.

O euro recua 1,28% ante o real, cotado a R$ 4,3320 na venda, após chegar a marcar R$ 4,4093 na máxima do dia.

Em coletiva de imprensa, o presidente do BCE, Mario Draghi, disse que a instituição fez avanços "substanciais" no sentido de impulsionar os preços, mas ressaltou que ainda são necessários amplos estímulos monetários para que sua meta de inflação seja atingida de forma estável.

Segundo ele, a inflação subjacente da zona do euro deverá avançar gradualmente no médio prazo. O BCE revisou hoje sua projeção de inflação ao consumidor deste ano, de 1,4% para 1,7%. Sua meta é de taxa ligeiramente inferior a 2%. Draghi reiterou que o BCE está disposto a fazer ajustes em sua política, se necessário, para que consiga cumprir sua meta de inflação.

Draghi também comentou sobre a desaceleração da economia da zona do euro no primeiro trimestre, mas ressaltou que dados recentes ainda indicam crescimento do bloco este ano, ainda que tenham vindo mais fracos. Em sua revisão de projeções, o BCE cortou sua estimativa para o avanço do Produto Interno Bruto (PIB) da região em 2018, de 2,4% para 2,1%.

Ainda de acordo com Draghi, os riscos à perspectiva de expansão da zona do euro continuam amplamente equilibrados, mas fatores globais ficaram "mais proeminentes", em especial a ameaça de maior protecionismo. "Além disso, o risco de persistente volatilidade maior nos mercados financeiros requer monitoramento", destacou o comandante do BCE.

(com Agência Estado)

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