Em mercados

Postos sem combustíveis e queda de 15% da Petrobras: como a greve trouxe pânico nas ruas e na bolsa

Mercado afunda com a Petrobras e outros setores impactados pela greve dos caminhoneiros

Posto de gasolina
(Marcelo Camargo/Agência Brasil)

SÃO PAULO - O Brasil parou com a greve dos caminhoneiros, e o mercado foi junto puxado pela derrocada de 15% das ações da Petrobras. O Ibovespa ainda conseguiu amenizar as perdas durante a tarde desta quinta-feira (24), mas o clima de aversão pesou no mercado não só pela queda da estatal, mas pelo reflexo da paralisação em diversos outros setores, além de uma crise política que se instaura, com o governo não conseguindo negociar condições para encerrar a greve.

Nas ruas, postos de gasolina em praticamente todos os estados já estão sem combustível ou próximos de zerarem seus estoques. Aeroportos estão em estado de alerta e voos já estão sendo adiados por falta de querosena para abastecer as aeronaves. Até supermercados já enfrentam filas e desespero dos consumidores, que se preocupam com a falta de produtos, que não chegam nas lojas.

O reflexo na bolsa também foi bastante ruim. O Ibovespa fechou com queda de 0,92%, aos 80.124 pontos, puxado pela queda de 15% da Petrobras (PETR3; PETR4). Na véspera, a estatal anunciou um corte de 10% no diesel e o congelamento dos preços por 15 dias como forma de ajuda ao governo na negociação de uma trégua com os grevistas. As opções da estatal, por sua vez, dispararam mais de 2.000% diante de todo esse caos. Veja mais abaixo o desempenho da bolsa hoje.

A decisão da empresa, porém, não ajudou. O presidente da Abcam (Associação Brasileira dos Caminhoneiros) e líder dos grevistas, José da Fonseca Lopes, já disse mais de uma vez nesta quinta que a greve só termina quando a renúncia do PIS/Cofins e da Cide forem publicados no Diário Oficial. O problema é que o governo não parece que vai conseguir fazer isso ainda hoje.

Na véspera, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto de isenção do PIS/Cofins, mas houve um erro de cálculo do impacto. O governo havia anunciado que a medida custaria R$ 3,5 bilhões, mas na verdade custará R$ 14 bilhões, e isso faz toda diferença. O projeto agora teria que ser corrigido no Senado e ainda voltar para a Câmara.

Enquanto isso, o presidente do Senado, Eunício Oliveira, criou um grande ao viajar para o Ceará, onde cumpriria uma agenda de eventos. Isso gerou um mal estar e praticamente cravou que o texto não seria votado hoje no plenário, adiando o fim da greve. Diante dos problemas, porém, Eunício voltou para Brasília e convocou uma reunião para a noite de hoje.

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Já o presidente da Petrobras, Pedro Parente, está sofrendo uma grande pressão. Senadores pedem que ele seja demitido e culpam a política de preços da empresa pela atual crise. Por outro lado, o executivo já disse que nada vai mudar e na véspera anunciou a redução de 10% do diesel, pegando o mercado de surpresa e derrubando as ações da companhia. Investidores já começam a duvidar do poder que ele e a estatal terão para sustentar sua independência.

O dia do mercado

Enquanto o Ibovespa conseguiu cair cerca de apenas 1%, o dólar, por sua vez, voltou a subir após três dias de alívio. A moeda norte-americana fechou com alta de 0,64%, cotada a R$ 3,6483 na venda, puxada também pela tensão gerada pela crise dos combustíveis.

Por conta da interferência do governo na Petrobras, as ações da estatais Eletrobras (ELET6) e Banco do Brasil (BBAS3) foram contaminadas e registraram os piores desempenhos do Ibovespa. Outros setores também são impactados, como as siderúrgicas, com notícias de atrasos de entrega de material, além dos frigoríficos, que também não estão conseguindo reabastecer seus estoques ou mesmo alimentar os animais.

No exterior, o dia também foi negativo, desta vez pressionado pelo cancelamento do encontro entre o presidente Donald Trump com o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-Un. Em carta divulgada nesta manhã, a Casa Branca confirmou que Trump cancelou o encontro marcado no dia 12 de junho: "infelizmente, baseado na hostilidade e na raiva expressadas em seu comunicado mais recente, sinto que é inapropriado, neste momento, realizar essa reunião", aponta a carta.

O encontro estava marcado para acontecer em Singapura, mas vinha sendo posto em xeque por conta da relutância do ditador abandonar seu programa nuclear. Na mesma carta, Trump fez questão de destacar essa insatisfação: "você fala sobre suas capacidades nucleares, mas a nossa é tão massiva e poderosa que rezo a Deus para que ela nunca precise ser usada", afirmou.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 PETR3 PETROBRAS ON EJ N2 23,20 -14,55 +37,43 853,55M
 PETR4 PETROBRAS PN EJ N2 20,08 -13,71 +24,97 4,79B
 ELET6 ELETROBRAS PNB 17,53 -6,51 -22,78 70,93M
 ELET3 ELETROBRAS ON 15,25 -4,51 -21,15 107,37M
 BBAS3 BRASIL ON EJ 30,73 -3,06 -2,02 621,10M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 BRFS3 BRF SA ON 22,79 +6,40 -37,73 287,24M
 SUZB3 SUZANO PAPELON 45,28 +6,02 +143,44 253,54M
 BRKM5 BRASKEM PNA 48,48 +5,57 +17,96 104,65M
 WEGE3 WEG ON 18,82 +4,44 +2,07 65,14M
 LREN3 LOJAS RENNERON 31,90 +3,24 -9,73 109,72M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN EJ N2 20,08 -13,71 4,79B 1,63B 228.861 
 PETR3 PETROBRAS ON EJ N2 23,20 -14,55 853,55M 378,64M 63.272 
 VALE3 VALE ON 52,46 +1,00 757,49M 856,87M 30.150 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN 45,35 +1,32 735,27M 653,55M 32.830 
 BBAS3 BRASIL ON EJ 30,73 -3,06 621,10M 328,54M 46.647 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 20,33 +1,40 430,85M 412,00M 34.955 
 B3SA3 B3 ON 21,60 -2,26 378,26M 230,81M 36.233 
 BBDC4 BRADESCO PN 31,14 +0,16 324,49M 412,33M 25.046 
 HYPE3 HYPERA ON 27,90 -0,36 289,09M 88,87M 14.255 
 BRFS3 BRF SA ON 22,79 +6,40 287,24M 145,94M 24.381 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
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