Em mercados

Como o mercado recebeu as explicações do Copom sobre a manutenção da taxa de juros?

BC optou por uma postura mais cautelosa mesmo com atividade arrefecendo e a inflação comportada

Ilan Goldfajn no Copom
(Marcelo Camargo/ Agência Brasil)

SÃO PAULO - Na última quarta-feira (17), o mercado foi pego de surpresa com a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) em manter a Selic em 6,5% ao ano e por conta disso a ata desta última reunião era muito aguardada. Em suma, o BC optou por uma postura mais cautelosa mesmo com atividade arrefecendo e a inflação comportada, mas não endureceu o tom como aparentado no comunicado pós-reunião, tanto que um corte de 25 pontos-base foi discutido.

De acordo com os economistas do Bradesco, a ata do Copom reforçou a mensagem que a Selic ficará em 6,5% ao ano, sendo que sua duração dependerá da atividade econômica e como pela volatilidade do câmbio: "se a recuperação da atividade seguir frustrando e se entrarmos em um ambiente de maior estabilidade da taxa de câmbio, aumentam as chances de a taxa de juros permanecer nesse patamar por um período maior do que o atualmente previsto", destaca o banco. O mercado vinha temendo que o BC, após parar de cortar a Selic, elevasse a taxa nos próximos meses diante da valorização do dólar e passou a precificar alta para entre agosto e setembro.

Outro ponto importante, este destacado pela equipe econômica da XP Investimentos, foi como o Copom deixou claro a relação entre o desempenho do câmbio e o rumo da Selic. Na ata, o Comitê explicou que não há relação direta entre política monetária e o cenário global, sinalização que acalmou o mercado, que estava preocupado com uma mudança da postura do Copom sobre a decisão da Selic, ancorada, em grande parte, nas perspectivas de inflação e da economia.

"O Banco Central quis ser preventivo e não reativo. Apesar da desvalorização do Real, as expectativas de inflação continuam bem comportadas e mesmo assim a autoridade preferiu divergir da comunicação e ser mais cauteloso a longo prazo em meio a esse novo balanço de riscos", afirmou o estrategista-chefe do Mizuho, Luciano Rostagno, em entrevista para a Bloomberg.

Sem aperto este ano

Segundo Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset, a ata reforça um cenário de manutenção dos juros e não há porque espera por um aumento da Selic este ano. Na verdade, Vieira não descarta um corte ainda este ano caso a economia não se recupere e a volatilidade do câmbio cesse, cenário, que inclusive, foi contemplado no último Relatório Focus.

Inclusive, a ata aponta que os membros consideraram reduzir a Selic para 6,25% ao ano, mas que não foi executada em vista do "balanço de riscos para a inflação em função do choque externo, que reduziu as chances de a inflação permanecer abaixo da meta no horizonte relevante por meio de possíveis impactos secundários na inflação".

No parágrafo 20 do documento divulgado nesta manhã, os membros citam que, entre os argumentos para novo corte do juro, estavam os níveis baixos de inflação e o ritmo gradual de recuperação da economia. Após terem colocado sobre a mesa a hipótese, os diretores também avaliaram a opção de manter a taxa em 6,50%, alternativa que acabou sendo vencedora.

 

Contato