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Em mercados

Chegou a hora do mercado renovar seu topo histórico - e não estamos falando do Ibovespa

B3 trabalha forte com as corretoras para superar a marca histórica de 637,2 mil CPFs nos próximos meses

B3
(Divulgação)

SÃO PAULO - Há quase 10 anos, mais precisamente em 29 de maio de 2008, o Ibovespa atingia sua máxima histórica em 73.920 pontos e caminhava para o sexto ano consecutivo de alta, acumulando ganhos de 16% nesse período. Em meio a toda essa euforia, não demorou muito para haver uma corrida das pessoas físicas para abrirem sua conta em uma  corretora para participarem deste momento histórico do mercado. Naquele ano, o número de CPFs cadastrados saltou para 536,5 mil, uma alta de 17,5% em relação ao visto em 2007. Contudo, veio o subprime e o mercado saiu de céu de brigadeiro para modo pânico, com o Ibovespa caindo para até 29 mil pontos e assustando muitos destes novos investidores.

Apesar do susto, veio 2009 e o otimismo nos mercados se restabeleceu, o Ibovespa subiu 82% e voltou a trabalhar perto dos 73 mil pontos. Nessa onda, a bolsa lançou um ambicioso plano de alcançar 5 milhões de CPFs em 5 anos. Não precisamos ir tão longe na explicação para entender por que este plano não deu certo: além da deterioração da economia a partir de 2014 (chegando ao ápice em 2016 com o impeachment da Dilma Rousseff e a pior recessão da história), alguns episódios traumáticos na bolsa como a derrocada do império de Eike Batista e a capitalização desastrosa da Petrobras deixaram cicatrizes eternas em investidores que foram com muita sede ao pote.

Contudo, a alta de 66% nos últimos dois anos, propiciada pela expectativa de queda da taxa de juros e melhores condições econômicas, voltou animar o investidor e fomentar as esperanças de que conseguiremos renovar a máxima histórica do mercado ainda este ano, cravada em 5 de outubro do ano passado nos 78.024 pontos, como também romper o "topo histórico" de CPFs na B3 e aproximar cada vez mais as pessoas do mercado, já que o gap ainda é gigantesco. Para se ter uma ideia, a última estimativa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) aponta que o Brasil possui 207,7 milhões de habitantes, ou seja, 0,3% da população investe em bolsa tendo como base o total de 619,6 mil CPFs registrados até dezembro do ano passado.

Evolução dos CPFs cadastrados na B3 entre 2008 e 2017


*Fonte: B3

"Conseguiremos pelo menos romper o 'topo histórico' de CPFs ativos em breve", afirma Carlos Ratto, diretor de marketing da B3, em entrevista ao InfoMoney. Segundo Ratto, não existe uma solução mágica ou uma ação específica para trazer a pessoa física para a bolsa, mas sim a fórmula de investir no melhor relacionamento com as corretoras, que fazem o papel de captação dos clientes. Por isso a B3 está trabalhando cada vez mais próxima das corretoras, fornecendo a infraestrutura necessária para suportar a entrada de novos clientes e fazer toda a "engrenagem do mercado rodar", explica o diretor, para enfim superar a máxima de 637,2 mil CPFs alcançada em maio de 2013.

Novo "boom" de IPOs?
Sempre uma boa fonte de fluxo para o mercado de renda variável, os IPOs voltaram a ganhar força no ano passado. Foram 10 ofertas públicas de ações, que movimentaram cerca de R$ 20 bilhões: Camil (CAML3), Carrefour (CRFB3), IRB Resseguros (IRBR3), Ômega Energia (OMGE3), Biotoscana (GBIO33), Instituto Hermes Pardini (PARD3), Azul Linhas Aéreas (AZUL4), Movida (MOVI3), BR Distribuidora (BRTD3) e Burguer King Brasil (BKBR3).

"O apetite das empresas pelas ofertas públicas é uma demonstração clara da maior confiança na recuperação da economia e a B3 está preparada para servir como um conduíte que conecta a poupança privada ao financiamento corporativo. No final das contas, nós somos a estrutura que liga tudo isso", finaliza o diretor de marketing da B3.

Apesar desse apetite das empresas, é impossível esquecer que teremos eleições em 2018, e com a incerteza sobre quem será o comandante da república em 2019, as companhias podem "esperar pra ver" antes de buscar financiamento no mercado de renda variável.

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