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Catalunha declara independência da Espanha

Porém, presidente catalão suspendeu os efeitos da declaração "durante algumas semanas" para tentar uma mediação com o governo espanhol

Catalunha
(Bloomberg)

SÃO PAULO - O presidente catalão, Carles Puigdemont, declarou nesta terça-feira (10) independência unilateral da Espanha, mas, ao mesmo tempo, suspendeu os efeitos da declaração "durante algumas semanas" para tentar uma mediação com o governo espanhol.

"Hoje se escuta a Catalunha e ela é respeitada fora das nossas fronteiras. O sim pela independência ganhou um referendo sob uma chuva de golpes. As urnas nos dizem sim à independência e é por este caminho que vou transitar", disse Puigdemont em discurso no parlamento catalão. Apesar da declaração, o presidente catalão pediu para que os efeitos do referendo sejam temporariamente suspensos para "chegar a uma solução acordada" com Madri.

Horas antes do anúncio, o governo da Espanha pediu para que o presidente catalão não declarasse independência: “quero pedir ao senhor Puigdemont que não faça nada irreversível, que não siga nenhum caminho sem volta, que não realize nenhuma declaração unilateral de independência, que volte à legalidade”, afirmou o porta-voz do governo, Íñigo Méndez.

A decisão aconteceu pouco mais de uma semana após o referendo sobre a separação, que gerou uma das maiores crises políticas no país. De acordo com a consulta, que foi considerada ilegal pelo governo espanhol, cerca de 90% dos 2,2 milhões de eleitores que foram às urnas votaram favoravelmente à proposta de independência.

Deu para entender?
A confusa declaração de independência sucedida pela suspensão de seus efeitos práticos, feita pelo presidente catalão, Carles Puidgemont, pegou os espanhóis de surpresa e trouxe mais incertezas do que respostas ao novo capítulo da aguda crise separatista pela qual a região passa. Para a internacionalista espanhola Esther Solano, professora da Unifesp, o posicionamento ambíguo representa uma tentativa do líder da Catalunha de ganhar tempo e tentar uma negociação que não acontecerá com o governo espanhol.

"Ninguém esperava por isso. É uma jogada política que realmente não faz muito sentido. Ele está querendo ganhar tempo para que se dialogue. Mas não haverá negociação, é uma farsa política", afirmou a especialista em conversa por telefone com o InfoMoney minutos após o anúncio da decisão. Para ela, não está claro quais serão os próximos capítulos da novela espanhola. Será preciso observar como reagirão os próprios catalães, assim como o governo central e as lideranças europeias - confira a análise completa.

 

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