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S&P altera perspectiva do rating B- da Grécia de estável para positiva

No dia 15 de junho, o Eurogrupo concordou em facilitar o acesso da Grécia aos mercados, ao desbloquear 8,5 bilhões de euros para o país

Grécia - Bloomberg
(Yorgos Karahalis)

A agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P) alterou a perspectiva do rating B- da Grécia de estável para positiva.

Em comunicado divulgado nesta sexta-feira, a S&P comenta que a revisão das perspectivas nos ratings da Grécia "reflete a nossa expectativa de que os custos da dívida pública da Grécia diminuirão gradualmente, apoiados pela recuperação econômica, medidas fiscais até 2020 e compromisso dos credores da Grécia, especificamente o Eurogrupo".

No dia 15 de junho, o Eurogrupo concordou em facilitar o acesso da Grécia aos mercados, ao desbloquear 8,5 bilhões de euros para o país. "Em nossa opinião, esse apoio provavelmente abrirá caminho para que a Grécia reabasteça com sucesso os mercados de títulos soberanos neste ano", disse a S&P. Além disso, a agência considera significativo que os governos da zona do euro estejam em amplo acordo sobre os conceitos do plano de resgate a Atenas. "Observamos que a implementação desse plano, uma vez finalizado, está condicionada ao cumprimento, por parte da Grécia, do seu programa de empréstimos em curso", afirmou a S&P.

A agência ainda diz acreditar que os desafios de implementação de novas medidas fiscais e de outras reformas "potencialmente impopulares" continuam a ser significativas. Mesmo assim, "antecipamos o cumprimento geral dos objetivos do programa atual até o fim de agosto do próximo ano".

De acordo com a S&P, o Produto Interno Bruto (PIB) nominal grego deve ter um crescimento médio de 2,8% entre 2017 e 2020, o que deverá permitir que a dívida pública geral caia de 179% em 2016 para 158% do PIB em 2020. "Além disso, não descartamos a possibilidade de uma abordagem mais flexível dos credores da Grécia em relação ao cumprimento do objetivo, que é altamente ambicioso e potencialmente autodestrutivo de superávit primário de 3,5% do PIB no médio prazo", aponta. Para a agência, o sistema bancário grego continua prejudicado, embora o risco de uma outra rodada de recapitalização pelo governo não seja vista como iminente.

O rating da Grécia, no entanto, é restringido pela alta dívida do governo, pelas baixas taxas de crescimento, que corroeram os níveis de renda na última década, e pelas tendências dos preços e salários divergirem "de forma marcante" do resto da zona do euro. "A taxa de desemprego mais elevada da zona do euro e consideráveis desafios estruturais, como dados demográficos adversos e grandes déficits de segurança social e um sistema bancário que desafia a política monetária do BCE para a Grécia" pressionam as notas do país, na visão da S&P.

A perspectiva positiva, no entanto, indica a visão da agência de que, nos próximos 12 meses, "há pelo menos uma chance em cada três de que possamos elevar a classificação B- da Grécia".

 

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