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Em mercados

Novas regras do pré-sal geram controvérsia; Suzano tem queda de 60% do lucro, outros 3 balanços e mais destaques

Veja os destaques corporativos divulgados após o fechamento dos mercados

Painel de ações - Bolsa
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Mais uma vez, o destaque do mercado fica para a temporada de balanços, com atenção para os números apresentados pela Suzano. Além disso, atenção para o debate sobre as novas regras para o pré-sal. Confira os destaques do noticiário corporativo da noite desta quarta-feira. 

Petrobras (PETR3;PETR4)
Novas regras publicadas pelo governo nesta quarta-feira para leilões de pré-sal, que permitirão que a Petrobras desista da operação de áreas ainda durante as licitações, foram reprovadas pela associação que representa as petroleiras no Brasil, que considerou que as medidas geram incertezas para os investidores.

As normas, válidas para os dois leilões do pré-sal deste ano previstos para 27 de outubro, favorecem a estatal, segundo especialistas consultados pela Reuters. Ao regulamentar o direito de preferência da Petrobras na operação de áreas do pré-sal sob regime de partilha de produção, que atendeu aos anseios da endividada estatal antes obrigada a ser operadora das áreas, o governo acabou dando um direito adicional à petroleira.

O decreto de regulamentação, publicado no Diário Oficial da União, garante que a petroleira não seja obrigada a permanecer em um consórcio nas disputas onde exerceu o direito de preferência caso o lance vencedor fique acima do que ela considera um negócio interessante.

No entanto, a medida poderá prejudicar a atração de investimentos, na avaliação do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), que representa as petroleiras no Brasil. "O IBP entende que a possibilidade de exercer a preferência após o leilão prejudica a livre competição, gera incertezas e afeta a atração de investimentos para a província do pré-sal", afirmou o instituto, em nota no fim do dia desta quarta-feira.

O governo calcula que os leilões previstos para 2017 e 2018 deverão atrair investimentos de 200 bilhões de reais nos próximos dez anos, segundo uma nota do Ministério de Minas e Energia desta quarta-feira. A medida publicada no DO era amplamente aguardada pelo mercado para dar mais clareza sobre quais serão as regras dos leilões, enquanto o governo trabalha para atrair grandes investimentos e tirar o país de uma crise econômica.

O IBP não entrou em detalhes, mas sua posição foi defendida pelo o advogado Pedro Dittrich, coordenador do grupo técnico que elaborou as leis do pré-sal no passado e atual sócio do escritório Dittrich Advogados, em entrevista à Reuters. Dittrich acredita que as regras poderão fazer com que se repita o que ocorreu em 2013, na primeira rodada do pré-sal, com a oferta do gigante prospecto de Libra, na Bacia de Santos, quando apenas o consórcio formado pela Petrobras participou da disputa.

Isso porque, com as novas regras, a Petrobras poderá exercer o direito de ser a operadora de todas as áreas e decidir depois se fica, segundo Dittrich. "Isso é um grande problema porque o cálculo para participar deixa de ser um e passa a ser outro por simples escolha da Petrobras... a Petrobras tem o poder de inviabilizar o lance do outro", afirmou Dittrich, especializado em óleo e Gás.

No mês passado, a Reuters antecipou que o governo estava estudando permitir que a Petrobras desistisse de áreas do pré-sal se considerasse o lance vencedor muito elevado para sua capacidade financeira, segundo duas fontes.

Alguns especialistas, no entanto, ponderam que o novo modelo não é tão prejudicial à competição como destacou o IBP. O especialista da Siqueira Castro Advogados Rodrigo Calazans Macedo destacou que, no caso de uma desistência da Petrobras, o consórcio vencedor indicará o operador e os percentuais de participação de cada integrante do grupo. Dessa forma, para Macedo, as companhias já chegarão preparadas para os dois cenários: com ou sem a Petrobras. "As regras fomentam a participação", defendeu.

Suzano (SUZB5)
A Suzano Papel e Celulose teve queda de 60 por cento no lucro líquido do primeiro trimestre, para 450 milhões de reais, informou a companhia nesta quarta-feira.

A empresa teve queda de 33 por cento na geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado no período, a 847 milhões de reais.

A companhia informou no balanço que projeta investimentos de 1,8 bilhão de reais neste ano, mesmo nível do aplicado em 2016, excluindo a aquisição de terras e florestas no Maranhão. A Suzano disse também que decidiu adiar desgargalamento em fábrica em Mucuri (BA), diante de "mudanças recentes no cenário macroeconômico".

Totvs (TOTS3)
A Totvs reportou um lucro líquido de R$ 31,4 milhões no primeiro trimestre de 2017, uma queda de 36,9% na comparação com o mesmo período de 2016. 

Os resultados divulgados após o fechamento do pregão desta quarta-feira (3) apontam ainda que a a receita líquida ficou R$ 560,1 milhões nos três primeiros meses do ano, um avanço de 1,6% na mesma base comparativa.  A receita recorrente ficou em R$ 360,8 milhões, com alta de 8,0%.

Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) totalizou R$ 90,1 milhões entre janeiro e março. O montante representa um recuo de 21,4% em relação ao mesmo período de 2016.

Profarma (PRFM3)
A Profarma teve um prejuízo líquido de R$ 27,1 milhões no primeiro trimestre, triplicando as perdas de R$ 9,3 milhões frente o mesmo período do ano passado. A companhia aponta que a comparação é afetada pelo impacto do resultado da Rede Rosário (R$ 7,5 milhões), além de despesas financeiras relativas a investimentos no varejo (R$ 12,3 milhões), com a aquisição dos 50% remanescentes da rede de drogarias Tamoio em dezembro de 2015, a aquisição da Rede Rosário em dezembro de 2016, e aportes de capital de giro. Sem esses efeitos, a empresa estima que teria um lucro ajustado de R$ 1,4 milhão ante perdas de R$ 5,3 milhões um ano antes.

A receita líquida totalizou R$ 1,04 bilhão de janeiro a março, alta de 6,6%, enquanto o Ebitda teve queda de 25,5%, a R$ 15,4 milhões.

 

Locamerica (LCAM3)
A Locamerica mais que dobrou seu lucro líquido entre o primeiro trimestre de 2016 e o mesmo período de 2017, de R$ 5,5 milhões para 12,4 milhões, segundo comunicado divulgado nesta quarta. No mesmo período, a receita líquida avançou 19% para R$ 209,4 milhões e o Ebitda, 8,1%, para R$ 65,6 milhões.

Oi (OIBR4)
Fontes disseram à Bloomberg que a Brookfield Asset Management está se juntando a um grupo de credores da telefônica. A Brookfield teria se unido ao comitê dirigente do grupo de credores assessorado pela Moelis & Co. na semana passada.

A decisão da Brookfield fortalece o grupo assessorado pela Moelis, que já conta com suporte da agência China Development Bank. O grupo, que tem o suporte do bilionário egípcio Naguib Sawiris, apresentou em dezembro uma sugestão de plano para reestruturação da Oi, em processo de recuperação judicial desde junho do ano passado. A proposta está sendo revisada com base nas sugestões recebidas também de outros credores. Nem o Moelis nem o Brookfield não quiseram comentar o assunto. 

Ainda no noticiário da companhia, a Oi afirmou que espera crescimento de 15% na venda de planos de telefonia celular para o Dia das Mães sobre o mesmo período do ano passado e estabilidade de sua base de linhas móveis ativas até o final do ano, afirmou um executivo do grupo em recuperação judicial nesta quarta-feira.

A operadora teve queda de quase 12% na base de linhas celulares ativas em março sobre um ano antes, ou queda de 5,67 milhões acessos, para 42 milhões, segundo dados divulgados no fim de abril pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Azul (AZUL4)
A companhia aérea informou nesta quarta-feira (3) que oferecerá, a partir do próximo mês, preços diferenciados para clientes que partem do aeroporto de Viracopos (SP) para 14 destinos pelo país sem despachar bagagem. Na última sexta-feira, a Justiça Federal do Ceará impugnou uma liminar que suspendia a cobrança por bagagem despachada em voos.

 (com Reuters e Bloomberg)

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