Em mercados

Analistas veem alta do minério como "inexplicável" e dizem que direção agora é de queda

Mercado aposta em estímulo na China, mas dentro de um contexto de rebalanceamento econômico, faz sentido ver isso como motivo para uma alta de US$ 10 na commodity

depósito de minério de ferro na China
(Sheng Li/Reuters)

SÃO PAULO - O minério de ferro subiu quase 20% ontem, em meio a expectativas de um aumento da produção de aço na China. Contudo, a maior parte do mercado se pergunta se esse movimento faz algum sentido considerando-se os fundamentos macroeconômicos, principalmente da China. Para o BTG Pactual, os investidores estão comprando minério com expectativas de que haja um aumento forte na demanda que ainda não é visível. 

Em relatório dos analistas Leonardo Correa e Caio Ribeiro, o banco diz que o que ocorre hoje é um deja-vu do que aconteceu no primeiro trimestre de 2015, de modo que o momento atual é de operar vendido na commodity. "Na nossa opinião, essa disparada do minério é um movimento auto-destrutivo por natureza". Segundo o research, não só os estoques nos portos chineses estão chegando a 100 milhões de toneladas da commodity como há dois projetos de exploração chegando nos próximos 12 meses (Roy Hill e Carajás). 

Assim como o BTG, o Société Générale diz que não há evidência suficiente para sugerir uma reação. "Não estamos vendo uma grande elevação nas compras [no mercado físico]", disse Robin Bhar, analista de metais do banco. Para Bhar, essa alta recente se deve à cobertura de posições de investidores que haviam apostado na queda do preço, mas agora recuam dessa estratégia para evitar potenciais prejuízos.

O minério de ferro avança cerca de 70% desde que atingiu o patamar mais baixo em mais de uma década, a US$ 37 a tonelada, em 11 de dezembro.

Na China, há expectativa de que o foco na economia fique progressivamente menos no setor industrial e mais no de serviços, o que pode significar um freio no crescimento global neste ano e no próximo. Mas o minério de ferro e outros metais agora são usados para apostar que a China impulsionará os estímulos econômicos, o que resultaria em mais projetos de infraestrutura que utilizam o aço.

O professor Roberto Dumas Damas, do Insper, disse no segundo bloco do programa Comprar ou Vender que não há motivos para ficar otimista com China após as novidades do país. Para ele, todo mundo já esperava pelas medidas que o governo chinês anunciou no Plano Quinquenal. Elas só não tinham saído da boca do presidente Xi Jinping ainda. Além disso, ele se diz cético quanto à possibilidade dos chineses atingirem a sua meta de expansão do PIB (Produto Interno Bruto). "Esses 6,5% a 7% de crescimento que se espera da China é um número político. Achar que a China cresceu 6,9% no ano passado é totalmente equivocado", afirma. "Como um país focado na indústria, intensivo de energia, consegue crescer 6,9% com uma queda no consumo de energia de 0,2%."

(Com Agência Estado)

InfoMoney faz atualização EXTRAORDINÁRIA na Carteira Recomendada; confira

André Moraes diz o que gostaria de ter aprendido logo que começou na Bolsa

 

Contato