Em mercados

Tombini faz comentário incomum e sinaliza que pode usar FMI para justificar Selic

Em nota, presidente do BC afirmou que são "significativas" as revisões das projeções feitas hoje pelo FMI; Haitong diz que “Tombini pode estar usando o relatório de forma a dar um caráter técnico a uma decisão de alta menor ou sem alta da Selic”

Tombini Inflação BC
(Marcelo Camargo/ABr)

SÃO PAULO - Em nota, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou que são "significativas" as revisões das projeções para a economia brasileira para 2016 e 2017 feitas hoje pelo FMI (Fundo Monetário Internacional), em um comentário incomum em relação a essas divulgações feitas pela autoridade monetária, principalmente em dia de reunião do Copom.

No documento, o FMI revisou a previsão de crescimento do PIB do Brasil de -1,0% para -3,5%, em 2016, e de +2,3% para 0%, em 2017. O Fundo atribui a fatores não econômicos as razões para esta rápida e pronunciada deterioração das previsões, destaca o BC. "O presidente Tombini ressalta que todas as informações econômicas relevantes e disponíveis até a reunião do Copom são consideradas nas decisões do colegiado", destacou a nota do BC.

Conforme destacou o economista sênior do banco Haitong, Flávio Serrano, em entrevista para Bloomberg, aumentou a chance de não haver uma alta de 0,5 ponto percentual amanhã. O mercado estava totalmente precificado nisso, mas essa comunicação traz incertezas para a decisão, afirmou o economista para a agência. 

Segundo Paulo Petrassi, gestor de renda fixa da Leme Investimentos, em entrevista para a Bloomberg, o mercado se encaixa para apenas aumento de 25 pontos-base da Selic, diante do ambiente novo da China e commodities despencando.

Esses vetores de notícias sobre reunião de Tombini e Dilma são argumentos para o BC dar aperto mais moderado, afirma. “Inflação está alta, números que saíram hoje não foram bons, como IGP-M, mas Copom tem influência política”, afirma, e completa: "além disso, FMI está certo. E todos sabem que o nosso problema é o fiscal que está afetando tudo”. 

 A precificação da curva de juros futuros passou a apontar uma chance maior alta de 0,25 ponto percentual, para 14,5% ao ano, na reunião do Copom que acaba amanhã. O contrato de juros futuros de janeiro de 2017 aponta queda de 24 pontos, a 15,36%, às 9:28 (horário de Brasília), enquanto o DI de janeiro de 2021 tem queda de 12 pontos, a 16,34%.

A presidente Dilma Rousseff conversou ontem com o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, mas a reunião não constou da agenda oficial. Tombini está sob forte pressão política e enfrenta divisões na diretoria do Banco Central sobre o efeito do aumento da Selic.

No Palácio do Planalto, assessores da presidente também estão divididos sobre a eficácia da alta dos juros, mas há quem diga que um ligeiro aumento pode, sim, ter efeito sobre o combate à inflação e as expectativas de ajuste da economia.

(Com Agência Estado e Bloomberg) 

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