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Juros em outubro, dezembro ou só no ano que vem: o que os analistas esperam do Fed?

A maioria dos analistas ainda acredita em uma elevação ainda em 2015. Para Flávio Conde, já existem diversos elementos que justificam a mudança na política monetária

Bandeira EUA
(Bloomberg)

SÃO PAULO - Com apenas um voto contrário - o de Jeffrey Lacker -, os membros votantes do Federal Open Market Commitee acabaram de decidir manter as taxas de juros americanas aos níveis entre 0% e 0,25%. A decisão se justifica sobretudo por uma inflação abaixo do esperado por conta dos preços no setor de energia e pela valorização do dólar em comparação com diversas divisas internacionais, além do cenário mais temerário no mercado global. As preocupações com a desaceleração da China figuram no radar dos membros do Federal Reserve e também se manifestam no tom conclusivo da reunião de setembro da autoridade monetária americana, encerrada na tarde desta quinta-feira (17).

Para o economista Roberto Troster, a decisão de manter os juros em patamares baixos foi uma decisão racional e que respeita a conjuntura dos mercados atualmente. "Por enquanto, é muito pouco provável que haja alta nos juros nos Estados Unidos neste ano", observou. A opinião do ex-economista-chefe da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e sócio da Troster & Associados caminha no sentido oposto das expectativas da maioria dos analistas do mercado, que se dividiam entre aqueles que esperavam elevação nos juros já nesta reunião ou ainda no final deste ano. É o caso de Flávio Conde, da consultoria WhatsCall. "Dificilmente eles não aumentarão os juros este ano. O mercado brasileiro e outros emergentes e americanos estão antecipando isso", disse. Ele espera que o aumento se dê em dezembro.

Na mesma linha de Conde, o economista da Leme Investimentos, João Pedro Brugger, destacou dois pontos importantes contidos no breve relatório que acompanhou a decisão do Fomc: a projeção de desemprego é bastante baixa para os próximos anos, mas os níveis de atividade e expansão da maior economia do mundo estão um pouco abaixo do esperado. Na visão dele, não teria sido tão inesperado o Fed elevar os juros nesta reunião e as expectativas agora se voltam para a maior possibilidade de haver novas taxas no último trimestre deste ano. No entanto, outros elementos entram no radar e talvez ganhem mais importância do que de fato quando se iniciará o processo de aperto monetário após um longo período de frouxidão. "Mais importante do que quando vai subir, vale observar como se dará essa alta", ponderou Brugger.

Já o analista Ricardo Kim, da XP Investimentos, chama atenção para o discurso de Janet Yellen, chair do Fed. "Yellen tem mantido a preocupação com a inflação, principalmente por conta da apreciação do dólar e desvalorização do petróleo, além do cenário externo", observou. Ainda há pouca indicação clara, sobretudo por conta das expectativas ainda nebulosas sobre o comportamento do mercado global, do dólar e dos preços do petróleo - que pesa muito sobre o desempenho da economia americana. Se as sinalizações não forem tão positivas conforme esperado, nada impede que as expectativas sejam depositadas em uma elevação nos juros apenas no ano que vem.

No entanto, a maioria dos analistas ainda acredita em uma elevação ainda em 2015. Para Conde, já existem diversos elementos que justificam a mudança na política monetária. "200 mil empregos por mês não são os 400 mil de 2007, mas já existe motivo de sobre para subir os juros. A desculpa da China não cola, porque eles não são obrigados a salvar o país. Meu call sempre foi dezembro. Para mim, dezembro é razoável. Se passar disso, eles vão começar a ser chamados de irresponsáveis", concluiu o analista da WhatsCall.

 

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