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S&P corta rating e tira grau de investimento do Brasil

A S&P vê uma contração da economia em 2,5% este ano e 0,5% em 2016. Para 2017 a expectativa é de um crescimento modesto

Bandeira do Brasil - Bloomberg
(Bloomberg)

SÃO PAULO - A agência de classificação de risco Standard & Poor's cortou o rating do Brasil de "BBB-" para "BB+", tirando assim o grau de investimento do País, que entra assim na categoria "junk" (lixo na tradução literal). A perspectiva de nota da agência é negativa.

Em relatório, a S&P diz que a perspectiva negativa reflete o que acredita ser um risco maior do que um para três de um rebaixamento adicional devido a uma maior deterioração da posição fiscal do Brasil.

"Os desafios políticos do Brasil continuam a aumentar, pesando sobre a capacidade e a vontade do governo em apresentar um orçamento para 2016 ao Congresso coerente com a correção política significativa sinalizada durante a primeira parte do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff", diz a agência.

A S&P vê uma contração da economia em 2,5% este ano e 0,5% em 2016. Para 2017 a expectativa é de um crescimento modesto. Além disso, a agência espera um déficit primário em torno de 8% do PIB (Produto Interno Bruto) neste ano e no próximo, para só em 2017 recuar para 5,9%. Porém, o relatório ressalta que a S&P não inclui em seu cenário base um impeachment da presidente. 

No dia 28 de julho, a S&P já havia cortado sua perspectiva sobre a nota para negativa, indicando que o corte viria logo. O país ainda mantém o "grau de investimento" de acordo com as outras duas principais agências de classificação de risco do mundo: Fitch e Moody's.

Na época em que sinalizou o corte, a S&P ressaltou que o Brasil enfrentava desafios políticos e circunstâncias econômicas complicadas, apesar das mudanças feitas pela presidente Dilma Rousseff em seu segundo mandato. O Congresso mais hostil também estaria dificultando a condução da política econômica, avaliou a analista da instituição responsável por Brasil na época, Lisa Schineller.

O movimento da agência é um grande revés para o governo brasileiro, que enfrenta uma crise econômica e política e vinha buscando meios de se manter entre os países reconhecidos como bons pagadores pelas agências de classificação de riscos.

A S&P foi a primeira das três principais agências de classificação de riscos a conceder ao Brasil o selo de bom pagador, em abril de 2008, no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E agora é a primeira a colocar o Brasil de volta ao grau especulativo.

 

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