Em mercados

Copom eleva Selic em 0,5 p.p., para 14,25%, e sinaliza manutenção dos juros

Alta vai em linha com a expectativa dos analistas de mercado e é o sétimo aumento consecutivo no ciclo de alta iniciado em outubro

Alexandre Tombini Banco Central BC 1
(Reuters)

SÃO PAULO - Como esperava a maior parte dos economistas, a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) na reunião desta quarta-feira (29), foi por um aumento da taxa básica de juros, a Selic, para 14,25% ao ano. O aumento de 0,5 ponto percentual é o sétimo do novo ciclo de alta iniciado em outubro.

O aumento já era esperado pelo mercado porque a inflação encontra-se atualmente em níveis perigosamente altos, com o último IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), o medidor oficial de inflação do governo, registrando 8,89% de aumento de preços acumulados em 12 meses. O corte na meta fiscal de 1,1% do PIB (Produto Interno Bruto) para 0,15% do PIB realizado na última semana fez com que a maior parte do combate ao aumento do IPCA ficasse nas mãos da política monetária. 

Além disso, segundo a LCA Consultores, o discurso "duro" do diretor de Assuntos Econômicos do BC, Luiz Awazu, avaliando que surgiram novos riscos inflacionários, fez com que os mercados migrassem para a aposta de 50 pontos-base, jogando a taxa básica de juros para 14,25% ao ano. 

Já a AZ FuturaInvest ainda lembrou que a curva de juros dada pelos contratos futuros de DI mostrou uma elevação da expectativa do mercado, que já trouxe a Selic para 14,50% até o fim do ano pelo menos nos preços. O DI para janeiro de 2016 fechou esta quarta cotado perto de 14,30%, reforçando as apostas nesta tese de continuidade do ajuste da política monetária.

BC indica manutenção da Selic
Apesar do DI começar a precificar uma nova alta, a autoridade monetária indicou no comunicado que os juros provavelmente irão permanecer neste patamar nos próximos meses. "O Comitê entende que a manutenção desse patamar da taxa básica de juros, por período suficientemente prolongado, é necessária para a convergência da inflação para a meta no final de 2016", disse o BC em seu comunicado.

Com uma taxa mais alta de juros, o Banco Central tenta controlar o crédito e o consumo, atuando assim para segurar a inflação, que tem mostrado resistência neste ano. Por outro lado, ao tornar o crédito e o investimento mais caros, os juros elevados prejudicam o nível de atividade da economia brasileira e, também, a geração de empregos.

Confira o comunicado na íntegra:

Avaliando o cenário macroeconômico, as perspectivas para a inflação e o atual balanço de riscos, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic em 0,50 p.p., para 14,25% a.a., sem viés.

O Comitê entende que a manutenção desse patamar da taxa básica de juros, por período suficientemente prolongado, é necessária para a convergência da inflação para a meta no final de 2016.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Alexandre Antonio Tombini (Presidente), Aldo Luiz Mendes, Altamir Lopes, Anthero de Moraes Meirelles, Luiz Awazu Pereira da Silva, Luiz Edson Feltrim, Otávio Ribeiro Damaso e Sidnei Corrêa Marques.

 

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