Em mercados

Bolsa e dólar amenizam depois de reagir forte a corte da perspectiva de rating pela S&P

A S&P espera que o Brasil registre uma retração da economia da 2% neste ano, enquanto em 2016 não haverá crescimento

Bandeira do Brasil - Bloomberg
(Bloomberg)

SÃO PAULO - A agência de classificação de rating Standard & Poor's decidiu cortar a perspectiva do rating do Brasil de "estável" para "negativa", apesar de manter a nota de crédito do País. A S&P espera que o Brasil registre uma retração da economia da 2% neste ano, enquanto em 2016 não haverá crescimento. Apenas em 2017 a agência projeta um crescimento modesto da economia.

Ao mesmo tempo, a agência reafirmou o rating da dívida de longo prazo em moeda estrangeira do Brasil em "BBB-", o rating "A-3" da dívida de curto prazo em moeda estrangeira, a nota "BBB+" da dívida de longo prazo em moeda local e o rating "A-2" da dívida de curto prazo e moeda local. A S&P também confirmou o rating escala nacional "brAAA" e a perspectiva sobre esta nota permanece "estável".

Após a notícia, o Ibovespa chegou a afundar 900 pontos, mas às 15h22 (horário de Brasília), já devolvia uma parte das perdas, operando em alta de 1,39%, a 49.413 pontos. O dólar comercial amenizava os ganhos e tinha alta de 0,65%, para R$ 3,3855 na venda no mesmo horário - chegando aos R$ 3,42 na máxima do dia. No mercado futuro, o dólar para agosto tinha alta de 0,50%, a R$ 3,386, indo a R$ 3,4400 na máxima.

No mercado de juros, o DI janeiro de 2017 subia a 13,95% ao ano. Já o DI janeiro de 2021, mais sensível à percepção de risco, ia a 13,07%, contra 12,979% no ajuste de ontem e máxima hoje de 13,430%.

A S&P diz que as investigações em curso nos casos de corrupção contra políticos e empresas de alto perfil - em ambos os setores público e privado, e em todos os partidos - levaram a uma alta da incerteza política no curto prazo. A agência afirma que este cenário coloca um grande risco nas implementações de novas políticas, principalmente nas votações do Congresso.

Segundo a agência, desde que o rating do País foi reafirmado, em 23 de março, os riscos de um downside da nota soberana aumentaram. "O Brasil enfrenta circunstâncias políticas e econômicas desafiadoras, apesar do que nós consideramos ser uma correção política significativa durante o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff", afirmou a S&P em relatório.

A projeção da agência é de um para três de que o governo irá enfrentar novas "derrapagens dada a dinâmica política e que o retorno de uma trajetória de crescimento econômico mais firme vai demorar mais tempo do que o esperado". "Revisamos a perspectiva para negativa porque, apesar das mudanças políticas atualmente em curso, que têm o apoio da presidente, os riscos de execução subiram. Em nossa visão, esses riscos derivam de ambas as frentes políticas e econômicas", afirma a S&P.

Ações perdem força
Após dispararem até o início da tarde com uma "procura por pechinchas" por parte dos investidores, as ações que fazem parte do Ibovespa perderam força. Caso da Petrobras (PETR3, R$ 11,10, +6,53%; PETR4, R$ 10,00, +5,15%), que chegou a disparar mais de 7% e passou a registrar ganhos de "apenas" 4% após a notícia. O mesmo movimento foi visto com a Vale e siderúrgicas, que ainda registram altas maiores favorecidas pela valorização do minério de ferro na China.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 BRKM5 BRASKEM PNA 12,09 +11,63
 CSNA3 SID NACIONAL ON 4,17 +9,74
 USIM5 USIMINAS PNA 4,10 +9,63
 VALE3 VALE ON 18,18 +8,47
 GGBR4 GERDAU PN 5,98 +6,60

 

 

As ações da Braskem (BRKM5, R$ 12,09, +11,63%) também mantêm forte alta nesta tarde e lideram os ganhos do Ibovespa. O movimento ocorre após derrocada de 10% ontem (pior desempenho diário do índice). Em relatório de hoje, o BTG Pactual comentou que, embora a empresa tenha uma história de tipicamente ir bem no ambiente econômico atual, graças a suas vantagens competitivas, força estrutural e receita em dólar, os desdobramentos da Operação Lava Jato são impossíveis de se prever, sendo, no momento, melhor ficar à margem da ação.

Ontem, os papéis desabaram com informações de que o contrato de nafta firmado com a Petrobras entre 2009 e 2014 trouxe prejuízo de R$ 6 bilhões à estatal. Conforme denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa teria recebido propina da Odebrecht para manter os preços da matéria-prima favoráveis à Braskem. 

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 RUMO3 RUMO LOG ON 0,91 -6,19
 GOLL4 GOL PN N2 5,83 -4,27
 ECOR3 ECORODOVIAS ON 6,63 -2,79
 OIBR4 OI PN 4,44 -2,42
 CCRO3 CCR SA ON 14,22 -2,27

 

Do lado das quedas, as ações da Gol (GOLL4, R$ 5,82, -4,43%) operam em queda. A companhia aérea anunciou ontem que começará desde já a reduzir a sua capacidade para recuperar os preços de passagens aéreas. 

 

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