Em mercados

Juros estão altos? Credit já prevê Selic em 14,75% em 2015, podendo passar até de 15%

Para o banco, aperto monetário será maior e mais longo do que o esperado, com o País mantendo a Selic em 14% durante o ano de 2016

SÃO PAULO - A ata do Copom (Comitê de Política Monetária) divulgada ontem fez muita gente rever as suas expectativas para a taxa básica de juros brasileira este ano. Mas poucos foram tão radicais em suas revisões quanto o Credit Suisse, que agora vê a Selic terminando este ano em 14,75%, ante previsões anteriores de 14,25%. Se for confirmado, a nossa taxa de referência na economia chegará ao maior patamar desde 2006, ou seja, oito anos atrás. 

No relatório assinado por Nilson Teixeira, Paulo Coutinho, Iana Ferrão, Leonardo Fonseca, Daniel Lavarda, o banco diz que ao mencionar que os ajustes de preços fazem com que a inflação aumente no curto prazo e tenda a permanecer elevada em 2015, o documento do Banco Central sugeriu a continuidade do atual ciclo de aperto monetário ao incluir que é necessário "determinação e perseverança para impedir sua transmissão para prazos mais longos”.

E este é o limite que a Selic pode ir? Para o CS ainda não. Existe um cenário com os juros ainda mais altos. "Conforme temos reiterado há bastante tempo, julgamos que haveria necessidade de uma política monetária muito mais apertada, com juros ainda mais altos e por um período mais prolongado, para reduzir a inflação IPCA para 4,5% em 2016. Nesse caso, não descartamos a possibilidade de o Copom promover alta adicional da taxa de juros também em 2 de outubro, com a Selic alcançando 15,25%", diz o relatório. 

Segundo o research, a mudança de projeção reflete a piora das perspectivas para a inflação este ano se juntam aos comentários "agressivos" de membros do BC, como os do diretor de Assuntos Econômicos, Luiz Awazu, e dos documentos como comunicados e atas da autoridade monetária. Para 2016, o CS também elevou suas previsões, que agora estão em 14%, contra 12% anteriormente. Isso significa que além dos analistas esperarem um aperto monetário mais forte este ano, eles ainda esperam que ele seja mais duradouro. 

No Relatório Focus, que compila projeções de analistas, economistas e instituições financeiras para os principais indicadores macroeconômicos brasileiro, a mediana das previsões da Selic para 2016 continuam em 12%. 

Antes do CS, o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, já fazia previsões para a Selic acima das imaginadas pela média do mercado. Segundo ele, os economistas que veem um aperto menor, mas de longo prazo, contra um aperto maior, mas por menos tempo, não estão vendo as sinalizações "hawkish" do Banco Central. 

 

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