Em mercados

Falta de governança é causa de grandes problemas que chegam à CVM, diz Pereira

O presidente da CVM frisou que a falta de governança corporativa não é algo exclusivo de companhias estatais e lembrou do caso da OGX, companhia privada e também listada no Novo Mercado, segmento de maior exigência de governança da bolsa brasileira

Leonardo Pereira Gol CVM
(Divulgação/Gol)

O presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Leonardo Pereira, disse nesta quinta-feira, 11, que nesses três anos em que está à frente da autarquia os grandes problemas que chegaram ao regulador foram, na prática, de falta de governança corporativa por parte das companhias. "Todos os grandes problemas que foram parar na CVM foram de governança. A forma em que ele (o problema) se 'veste' pode ser diferente, mas a origem é de falta de alinhamento do que seriam as melhores práticas", disse, em apresentação, durante evento sobre governança corporativa,em São Paulo.

Segundo Pereira, uma ausência de estruturas sólidas de governança acaba gerando um risco no mercado. "Vemos um impacto negativo que estruturas frágeis e apenas formais de governança podem causar às corporações", afirmou. O presidente da CVM disse ainda que a autarquia vem participando ativamente das discussões que estão sendo travadas sobre esse assunto, como, por exemplo, do programa de aprimoramento de governança corporativa de companhias estatais, que esta sendo desenvolvido pela BM&FBovespa.

O presidente da CVM frisou que a falta de governança corporativa não é algo exclusivo de companhias estatais e lembrou do caso da OGX, companhia privada e também listada no Novo Mercado, segmento de maior exigência de governança da bolsa brasileira.

"Estou convencido de que em uma atmosfera de negócio mais complexa, a falta de consenso pode enfraquecer o ambiente corporativo e impede o mercado de capitais de exercer plenamente o seu papel", destacou. Segundo ele, o mercado de capitais é uma peça importante para a economia do País, já que pode ser uma fonte complementar para o financiamento. "E o mercado de capitais é ancorado na credibilidade", lembrou, ao enfatizar a relevância de melhores práticas de governança.

Pereira defendeu que o Brasil tenha um código único de governança corporativa, já que isso poderá diminuir a 'confusão' em torno das regras que precisam ser adotadas. Ele lembrou que outros países já adotam um código único e que, nesse quesito, o Brasil ficou para trás.

 

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