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Após Copom, 5 especialistas comentam e fazem suas projeções sobre os juros

Repetindo o comunicado, o BC informou que a decisão "neste momento" de manter os juros foi tomada "avaliando a evolução do cenário macroeconômico e as perspectivas para a inflação"

Tombini 2 - 12/09/12
(Antonio Cruz/ABr)

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu por unanimidade, nesta quarta-feira, manter pela segunda vez seguida a taxa básica de juro em 11 por cento ao ano, em linha com as expectativas do mercado.

Repetindo o comunicado da reunião anterior, o BC informou que a decisão "neste momento" de manter os juros foi tomada "avaliando a evolução do cenário macroeconômico e as perspectivas para a inflação".

Veja abaixo comentários de economistas e especialistas sobre a decisão da autoridade monetária:

TATIANA PINHEIRO, ECONOMISTA, BANCO SANTANDER BRASIL
"É do perfil dessa diretoria a tendência por sempre optar por liberdade na decisão, sem se amarrar a nenhum tipo de viés, então colocando sempre a próxima decisão na dependência dos indicadores. Nosso cenário é que devem manter em 11 por cento a Selic até o final do ano.

Para o ano que vem vai ser necessário que o BC faça um novo ciclo de aperto monetário, um pouco menor que neste ano, mas um aperto para conseguir realmente fazer o processo de convergência da inflação.

A probablilidade de um corte de juro é bastante baixa."

EDUARDO VELHO, ECONOMISTA-CHEFE DA INVX GLOBAL
"Ao manter a expressão 'neste momento' no comunicado, o Copom vê a possibilidade de ajuste na política monetária para baixo, caso haja surpresa inflacionária para baixo nos próximos meses e caso haja sinais de recessão técnica no país considerando o desempenho do terceiro trimestre.

Embora o Copom esteja colocando essa possibilidade, avalio que esse ajuste na política monetária para baixo este ano é pouco provável e minha avaliação é de que a Selic permanecerá em 11 por cento durante um bom tempo."

BENJAMIN STEINBRUCH, PRESIDENTE DA FEDERAÇÃO DAS INDÚSTRIAS DO ESTADO DE SÃO PAULO (FIESP)
"É preciso reduzir a taxa de juros para estimular a demanda da economia, os investimentos produtivos e recolocar o país na rota do otimismo. O Brasil precisa de uma política econômica que promova o crescimento, crie rendas e gere empregos."

ANDRÉ PERFEITO, ECONOMISTA-CHEFE DA GRADUAL INVESTIMENTOS
Para ele, o banco central reconheceu que a inflação ainda é resistente. Sobre a decisão do Copom, Perfeito opinou que o fato de o BC ter mantido a expressão "neste momento" no comunicado deixa uma porta de saída caso a inflação saia do controle.

"Uma surpresa negativa com os preços administrados é o principal fator ruim que pode acontecer", avaliou Perfeito.

O economista espera que a taxa Selic seja mantida no nível atual até o final deste ano. Para ele, a trajetória da taxa básica de juros no próximo ano dependerá de quem vencer as eleições. "É possível que a Selic permaneça em 11% em 2015", destacou.

CNI (Confederação Nacional da Indústria)
"É crucial que a decisão de manter juros estáveis seja acompanhada de medidas fiscais menos expansionistas e de maior foco na manutenção dos investimentos públicos. Sem uma ação coordenada, corre-se o risco de um cenário ainda mais preocupante: crescimento próximo a zero e inflação acima da meta"

Com Reuters

 

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