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Crimeia votará por adesão à Rússia e agrava crise na Ucrânia; veja fotos do conflito

A Crimeia tem população de maioria étnica russa; confrontos já deixaram 100 mortos

Ucrania Crise
(Reuters)

SIMFEROPOL/SÃO PAULO - O Parlamento da Crimeia aprovou nesta quinta-feira (6) um referendo para o próximo dia 16, quando os cidadãos poderão escolher se desejam continuar na Ucrânia ou se unir à Rússia, em meio a uma dramática escalada da crise na península ucraniana do mar Negro.

A repentina aceleração das manobras para colocar formalmente a Crimeia sob o controle russo ocorre enquanto os líderes da União Europeia se reúnem para uma cúpula emergencial, buscando formas de pressionar a Rússia a recuar e aceitar a mediação. 

A Crimeia, no sudeste da Ucrânia, tem população de maioria étnica russa, e na prática foi ocupada por forças russas. Segundo a agência russa de notícias RIA, o Parlamento regional aprovou por unanimidade "a entrada na Federação Russa, com os direitos de um súdito da Federação Russa".

O vice-premiê regional disse que o referendo sobre o status da região acontecerá em 16 de março. 

Diplomatas dizem que esse anúncio provavelmente não foi feito sem o aval do presidente russo, Vladimir Putin, numa situação que eleva o tom do mais sério conflito leste-oeste desde o fim da Guerra Fria.

Os líderes da UE parecem inclinados a alertar a Rússia por sua intervenção militar na Ucrânia, mas sem impor sanções a Moscou. Não está imediatamente claro qual será o impacto das decisões na Crimeia. 

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Ao chegar para a cúpula, o presidente da França, François Hollande, disse a jornalistas que "haverá a mais forte pressão possível sobre a Rússia para começar a reduzir a tensão, e dentro da pressão há, evidentemente, o eventual recurso a sanções".

Durante discussões na quarta-feira em Paris, o chanceler russo, Sergei Lavrov, se recusou -apesar da pressão dos EUA e da UE- a se reunir com seu novo homólogo ucraniano ou iniciar um "grupo de contato" para buscar uma solução para a crise. Os dois ministros voltarão a se encontrar novamente na quinta-feira em Roma.

A tensão continua elevada na Crimeia, onde um alto representante da ONU foi cercado por uma multidão pró-Moscou, sendo ameaçado e obrigado a voltar ao seu avião e ir embora do país.

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A cúpula da UE em Bruxelas dificilmente adotará mais do que medidas simbólicas contra a Rússia, maior fornecedor de gás para a Europa, porque nem a Alemanha - potência industrial do continente- nem a Grã-Bretanha -centro financeiro da UE- querem trilhar esse caminho.

Os Estados Unidos anunciaram a imposição de restrições de vistos e o congelamento de bens a russos e a ucranianos tidos como responsáveis pela desestabilização da Ucrânia. “O Departamento de Estado aprovou hoje restrições de vistos para um certo número de responsáveis e indivíduos, refletindo uma decisão política que visa à recusa de vistos a responsáveis ou cúmplices pela ameaça à soberania e à integridade territorial da Ucrânia”, divulgou a Casa Branca num comunicado.

CONFRONTOS JÁ DEIXARAM 100 MORTOS
Os violentos confrontos registrados entre os dias 18 e 20 de fevereiro no centro de Kiev deixaram 100 mortos e 14 feridos que permanecem em estado grave, informou hoje (6) o Ministério da Saúde da Ucrânia. 

De acordo com o balanço, a maioria dos manifestantes mortos no dia 20 de fevereiro foi vítima de disparos de franco-atiradores, fixados em edifícios em torno da Praça da Independência, centro dos protestos contra o presidente Viktor Ianukóvitch.

O procurador-geral interino da Ucrânia, Oleg Makhnitski, disse na véspera que pelo menos um franco-atirador disparou do topo do edifício do Banco Nacional do país, na Rua Institutskaia. A Procuradoria investiga relatos de que havia franco-atiradores no Hotel Ucrânia e no edifício da Rua Bankovaia.

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Segundo Makhnitski, as autoridades determinaram a abertura de um processo judicial contra o chefe de um destacamento das forças especiais do Ministério do Interior na Crimeia, Serguei Avaliuk, identificado como um dos franco-atiradores.

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(Com Agência Brasil)

 

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