Em mercados

O'Neill: China é único digno a se manter nos BRICs, mas Brasil pode surpreender

Mesmo "decepcionado", o criador da expressão não pretende trazer ou subtrair países da sigla e acredita que o Brasil ainda possa surpreender positivamente em 2015 ou até mesmo no próximo ano

Jim O'Neill - Goldman Sachs - BRICs
(Divulgação)

SÃO PAULO - O ex-presidente de gestão de ativos do Goldman Sachs, Jim O'Neill, criou o termo BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) em 2001, que se tornou uma referência para descrever o grupo de nações que ia comandar o desenvolvimento econômico nos próximos anos. Contudo, doze anos depois, ele afirma que três destas nações o decepcionaram.

De acordo com O'Neill, se fosse para revisar o termo, ele deixaria apenas o "C" de China. "Mas aí, eu acho que deixaria de ser um acrônimo", afirmou.

O crescimento econômico dos outros países que compõem os BRICs tem sido decepcionante e as perspectivas para as economias em desenvolvimento, em geral, tem mudado nos últimos anos, com o fim do boom de commodities e uma desaceleração do crescimento chinês. Entretanto, este último está bem a frente das outras partes. Por outro lado, os EUA apresentam sinais de recuperação e, com o começo da retirada dos estímulos, ocorre uma grande saída de capitais do mundo emergente.

O'Neill afirmou ainda que virou "moda" dizer que o mundo desenvolvido está se recuperando, enquanto os mercados emergentes estão em desaceleração. "Mas muitos não entendem o tamanho da China".

Ele destaca que, caso a China cresça conforme ele prevê, em 7,5% ao ano, será criada uma riqueza adicional de US$ 1 trilhão. Para os Estados Unidos adicionar este mesmo nível de adição na economia, seria necessário que o país crescesse 3,75%, afirmou. A expectativa dos economistas ouvidos pelo Federal Reserve da Philadelphia é de que a economia dos EUA cresça 1,5% neste ano.

Entre os anos de 2011 e 2020, ele acredita que os BRICs vão ver a sua economia crescer a uma média de 6,6%, inferior aos 8,5% verificado na década passada, com a China puxando o crescimento.

Para ele, a Índia é a maior decepção do grupo, enquanto o Brasil tem sido o mais volátil na percepção dos investidores. "Entre 2001 e 2004, muitas pessoas me disseram que eu nunca deveria ter incluído o Brasil. Em seguida, de 2008 a 2010, as pessoas me disseram que eu era um gênio por incluir o Brasil, e agora, mais uma vez, as pessoas dizem que o Brasil não merece estar lá ", disse ele.

O crescimento econômico do Brasil, que atingiu 7,5% em 2010, tem sido fraco desde então, apesar das várias medidas de estímulo do governo. O país parece limitado ao crescimento de cerca de 2% nos próximos dois anos, de acordo com as previsões dos economistas.

O rápido crescimento do Brasil em 2010 elevou as expectativas, mas muitas pessoas se esqueceram de que o país é vulnerável a grandes movimentos nos preços das commodities, O'Neill disse. Outra questão levantada por O'Neill é o baixo investimento privado, com uma taxa de 18% do PIB, o menor entre os BRICs, há uma década.

Seu conselho para as autoridades brasileiras, que têm mostrado desconforto com a rápida desvalorização da moeda, e vem intervindo constantemente para tentar diminuir o movimento do real, seria "relaxar", disse ele.

"Eles só deve se preocupar se houver uma elevação nas expectativas de inflação. Caso contrário, eles deveriam relaxar", disse ele, antes de o banco central na quinta-feira anunciar um programa de intervenção maciça para proporcionar alívio para a moeda.

Mesmo diante de um crescimento fraco, O'Neill diz que não tem planos de adicionar ou subtrair membros de sua famosa sigla.

"Se, até o final de 2015, há um crescimento fraco persistente no Brasil, a Índia ou a Rússia, aí sim seria possível", disse ele, lembrando, porém, esperar que o Brasil possa surpreender positivamente em 2015, possivelmente ainda em 2014.

Seu conselho para as autoridades brasileiras, que têm mostrado desconforto com a rápida desvalorização da moeda, e vem intervindo constantemente para tentar diminuir o movimento do real, seria "relaxar", disse ele.

"Eles só deve se preocupar se houver uma elevação nas expectativas de inflação. Caso contrário, eles deveriam relaxar", disse ele, antes de o banco central na quinta-feira anunciar um programa de intervenção maciça para proporcionar alívio para a moeda.

Mesmo diante de um crescimento fraco, O'Neill diz que não tem planos de adicionar ou subtrair membros de sua famosa sigla.

"Se, até o final de 2015, há um crescimento fraco persistente no Brasil, a Índia ou a Rússia, aí sim seria possível", disse ele, lembrando, porém, esperar que o Brasil possa surpreender positivamente em 2015, possivelmente ainda em 2014.

 

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