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Relatório de emprego melhor que o esperado é mau sinal para Bovespa: entenda

Benchmark da bolsa brasileira registra forte queda, em meio às sinalizações de que Federal Reserve diminua estímulos, associado ao cenário econômico ruim para o Brasil

Ben Bernanke - 15/11/12
(Reuters)

SÃO PAULO - O crescimento do nível de emprego nos EUA mais forte do que o esperado em junho, além da revisão para cima da contagem de empregos dos dois meses anteriores, mostra que a economia norte-americana está encontrando com um caminho de recuperação.

Contudo, mesmo com estas indicações de que os EUA estariam voltando a apresentar bons números, o mercado brasileiro não se animou e, após registrar alta na véspera, voltou a apontar para queda nesta sessão. Às 12h20 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava perdas de 1,95%, a 44.870 pontos. 

Mas porque esse movimento acontece? Vale lembrar que, nas últimas semanas, o Ibovespa vem registrando fortes quedas em meio à indicação de que estímulos do Federal Reserve - de US$ 85 bilhões ao mês - seriam reduzidos ainda este ano, em meio ao discurso mais otimista do presidente da autoridade monetária, Ben Bernanke, sobre a maior economia mundial.

Com isso, houve uma saída forte de capitais dos países emergentes em meio às indicações do fim do dinheiro barato, que impulsionou os mercados nos últimos anos. Na bolsa brasileira, a queda foi especialmente forte, associada aos números decepcionantes no País e às incertezas quanto as políticas adotadas pelo governo. A desaceleração econômica da China, que é responsável por boa parte das exportações brasileiras, também contribui para um cenário mais negativo. 

Tese de redução de estímulos ganha forças 
Após o discurso de Bernanke, em meados de junho, diversos presidentes do Federal Reserve regionais apontaram para linhas interpretativas diversas sobre o que Bernanke realmente quis dizer ao mercado, o que levou a um cenário de incerteza para os investidores. Enquanto alguns líderes regionais da autoridade monetária apontavam que o mercado exagerou e avaliaram que os estímulos devem continuar, outros avaliaram que o Fed deve reduzir o ritmo de estímulos imediatamente. 

Desta forma, os dados de emprego mais otimistas dão forças para a segunda opinião. Em meio aos números melhores do que o esperado, ganha forças a corrente de que uma redução de estímulos ocorra já em setembro. 

O relatório também mostrou que os ganhos por hora semanais subiram para máxima desde novembro. Isso, combinado com outros dados relativamente otimistas no setor imobiliário, nas vendas de automóveis e na indústria, torna mais provável que o Fed continue com seu plano de redução em setembro. 

Vinte e oito entre 60 economistas consultados pela Reuters no fim de junho disseram esperar que o Fed comece a reduzir suas compras em setembro, com expectativa da maioria de que o programa seja encerrado até o fim de junho de 2014. A maioria também estimou que o Fed inicialmente reduziria as compras em US$ 20 bilhões ao mês.

A autoridade monetária norte-americana está observando atentamente a taxa de desemprego. O Fed informou esperar que a taxa de desemprego caia para cerca de 7% o meio do próximo ano, momento em que planeja encerrar as compras de títulos. Com isso, as indicações de mais saída de capitais no Brasil ganha forças.  

(com informações da Reuters)

 

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