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Banco Mundial reduz previsão de crescimento global

Banco prevê que PIB do mundo vai crescer 2,2% neste ano, ligeiramente abaixo da expansão do ano passado, de 2,3%

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WASHINGTON - O Banco Mundial cortou sua previsão para o crescimento global, alegando que a economia deve se expandir neste ano de forma mais lenta que no ano passado, e citou uma recessão mais profunda do que o esperado na Europa e uma recente desaceleração em alguns mercados emergentes.

Em seu relatório semestral Perspectivas Econômicas Globais, o banco alertou que as grandes economias em desenvolvimento, que têm impulsionado o crescimento global nos últimos anos, não vão experimentar o mesmo crescimento como fizeram antes da crise financeira mundial e terão de se concentrar em reformas estruturais para manter a expansão.

O banco prevê que o Produto Interno Bruto (PIB) do mundo vai crescer 2,2 por cento neste ano, ligeiramente abaixo do crescimento de 2,3 por cento do ano passado. Em sua última previsão, em janeiro, o Banco Mundial havia projetado um crescimento de 2,4 por cento da economia mundial neste ano.

O principal autor do relatório, Andrew Burns, disse que a economia global deve ser menos volátil no futuro, mas que o crescimento deve desacelerar.

O Banco Mundial estima que a economia global deverá crescer 3 por cento em 2014 e 3,3 por cento em 2015, após as dificuldades neste ano.

"O crescimento não é mais lento por causa da demanda insuficiente, mas sim porque, em nossa opinião, o forte crescimento que vimos no período pré-crise era devido a esse fenômeno da bolha", disse Burns a repórteres.

"O que estamos vendo agora é mais em linha com o potencial de crescimento subjacente", disse ele. "Por isso, este é um caso de se avançar para o novo normal do pós-crise."

Parte desse "novo normal" serão as taxas de crescimento mais lentas em países como Brasil, Índia, Rússia e China, já que os preços das commodities ficaram moderados e os países reequilibraram suas economias, segundo a entidade.

O Banco Mundial reduziu sua perspectiva para os países em desenvolvimento, que no ano passado cresceram em seu ritmo mais lento em uma década, para 5,1 por cento, ante 5,5 por cento na previsão de janeiro. O banco disse que o crescimento desses países deve lentamente acelerar no futuro, para 5,6 por cento no próximo ano e a 5,7 por cento em 2015.

Antes da crise financeira global em 2008, os países em desenvolvimento como um todo desfrutavam de taxas de crescimento em torno de 7,5 por cento, enquanto a China expandia a uma taxa anual de 10 por cento.

Evidências nas últimas semanas sugeriram que o crescimento econômico da China está perdendo força rapidamente, e os economistas estão abandonando suas previsões otimistas de recuperação e se preparando para o que poderia ser a taxa mais lenta de crescimento do país em 23 anos.

Burns disse que não estava preocupado com a desaceleração, já que era muito esperado que a rápida expansão da China fosse moderada, uma vez que a sua economia vai focar mais no crescimento liderado pelos investimentos para se concentrar mais no consumo.

O Banco Mundial também disse que a zona do euro e a incerteza fiscal nos Estados Unidos devem recuar como os principais riscos para a economia global no futuro. Em vez disso, os países em desenvolvimento terão que tomar cuidado para efeitos colaterais da expansão monetária maciça em países avançados, como os Estados Unidos e o Japão.

(Reportagem de Anna Yukhananov)

 

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