Em mercados

Rentabilidade da renda fixa supera renda variável nos últimos 17 anos, diz estudo

Foram efetuadas mais de 1800 comparações e, em 58,8% delas, a renda fixa proporcionou maior rentabilidade que a renda variável

SÃO PAULO – A renda fixa foi, nos últimos 17 anos, melhor opção de investimento na comparação com a renda variável, de acordo com um levantamento efetuado pelo professor Samy Dana, da FGV (Fundação Getúlio Vargas).

Para o levantamento, o professor fez comparações entre o Ibovespa (principal índice da Bolsa de São Paulo) e títulos do Tesouro Direto. Desde 1994, ele considerou períodos de 10 anos, com intervalos de um dia entre uma comparação e outra. Por exemplo: foi efetuada  uma comparação do dia 1º de julho de 1994 até o dia 1º de julho de 2004, outra do dia 2 de julho de 1994 até 2 de julho de 2004, e assim por diante.

No final, o professor aponta que foram efetuadas mais de 1800 comparações e, em 58,8% delas, a renda fixa proporcionou maior rentabilidade do que o investimento em renda variável.

“As pessoas têm uma visão de que quanto maior o risco, maior deve ser o retorno. E daí vem a ideia de que a bolsa tem que dar um retorno maior no longo prazo, porque tem maior risco. Entretanto, no Brasil, os juros são historicamente muito altos, por isso este melhor desempenho da renda fixa”, afirma Dana.

Entretanto, ele lembra que o levantamento não indica que a rentabilidade da renda fixa será maior do que da renda variável daqui para frente. “Não existe nenhuma garantia de melhor desempenho, não há como prever o futuro”, diz.

Volatilidade
O professor também ressalta que a bolsa brasileira é muito volátil, o que faz com que, no longo prazo, as perdas acabem pesando bastante sobre a rentabilidade do Ibovespa.

Só este ano, por exemplo, mesmo com a crise financeira ainda concentrada nos Estados Unidos e em alguns países da Europa, o principal índice da bolsa paulista já recuou 18,65% (com base no fechamento da última terça-feira, 20), enquanto o índice Dow Jones (que reúne as 30 empresas mais negociadas da bolsa de Nova York) perdeu apenas 1,2% no mesmo período. “A nossa bolsa oscila muito, o que pode prejudicar no longo prazo”, afirma Dana.

 

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