Em mercados

Confira dicas para fugir da armadilha de comprar ações na alta e vendê-las na baixa

Uma das dicas é se atentar para os fundamentos das empresas e no potencial de crescimento da companhia no longo prazo

SÃO PAULO – Comprar ações na alta e vender na baixa são erros que nenhum investidor quer cometer. Entretanto, saber o momento certo de comprar e vender um ativo são algumas das tarefas mais difíceis para aqueles que operam no mercado de renda variável.

O sócio-diretor da AZ Investimentos, Ricardo Zeno, ressalta que é comum que os investidores tenham mais interesse pela bolsa de valores quando o mercado está em uma sequência de altas e os papéis estão "performando" bem. “Quando o mercado está subindo bastante, o investidor se anima mais e o apetite por risco costuma aumentar”, afirma.

Entretanto, comprando desta maneira, corre-se o risco de adquirir papéis que já estão com um preço alto em relação ao que eles realmente valem.

Por isso, uma das dicas do especialista para comprar ações no momento certo é se atentar para os fundamentos das empresas e analisar o potencial de crescimento, antes de se decidir por determinado ativo. “É importante analisar a companhia, verificar se ela é sólida, se possui um crescimento consolidado, uma política de distribuição de dividendos”, afirma Zeno.

Neste momento, por exemplo, ele aponta que existem algumas empresas que podem ser uma boa opção de compra, devido ao baixo P/L (indicador que mede a relação entre o preço atual das ações e o lucro  por ação acumulado nos últimos quatro trimestres). “Pode-se dizer que existem empresas baratas e a baixa é o melhor momento para comprar”, afirma Zeno.

Não se desesperar com oscilações diárias
De acordo com o especialista, quem compra ações com foco no longo prazo não deve se preocupar tanto com as oscilações diárias do ativo, mas, sim, com o potencial de valorização daquele papel dentro do horizonte de tempo estipulado para o investimento.

“Se você compra uma ação com objetivo de ficar pelo menos dois anos, não tem porque se desesperar com uma queda que possa acontecer no dia seguinte”, diz. “O importante é você confiar no estudo que fez para comprar aquele papel. Se tiver potencial, você pode ficar tranquilo”, aconselha.

A opinião é compartilhada pelo gerente-geral do INI (Instituto Nacional de Investidores), Paulo Portinho. “Quando você compra uma ação e o preço dela despenca, o que deve te interessar não é o que passou e sim o que vem daqui para frente”, afirma. “Se aquela empresa tiver um potencial de crescimento, se os fundamentos dela forem bons, não tem motivo para você se desesperar, vender as ações e realizar prejuízo”, aconselha Portinho.

Nunca utilizar o dinheiro que pode precisar em breve
Outro ponto importante citado por Zeno é que o investidor não deve alocar em renda variável o dinheiro que irá precisar em um curto espaço de tempo. “Você deve investir em ações aquela quantia que sabe que não vai precisar e que pode ficar aplicada por mais tempo”, afirma.

Ele acrescenta que, se o investidor tiver uma data estipulada para concluir a transação, pode acabar tendo de realizar prejuízos. “Se você precisar daquele dinheiro dali a seis meses, para comprar um imóvel, por exemplo, corre o sério risco de vender em baixa, se as ações não tiverem a performance esperada”, diz.

Por isso, ele aconselha que o investidor separe um percentual das aplicações que serão alocadas em renda variável, dependendo do perfil de risco de cada um, e invista em ações apenas valores que não farão falta no curto prazo.

“Você pode pegar 10%, 20% do total, dependendo do quanto aceita de risco, e investir em renda variável”, finaliza Zeno.

E quem compra e vende no curto e curtíssimo prazo?
Já para aqueles que operam em transações de curto ou curtíssimo prazo, como day trade (comprar e vender a mesma ação no mesmo dia), a decisão de compra e venda costuma ser baseada na leitura dos gráficos (análise técnica).

“Para este investidor, não importa se o mercado está caindo ou subindo, o importante é acertar o momento certo de comprar e vender”, afirma Zeno.

Este tipo de investidor, que não se importa com os fundamentos da empresa e sim com a possibilidade de valorização (ou desvalorização, para aqueles que operam vendidos*), precisa identificar a tendência do papel - se está em tendência de alta ou de baixa - para poder ter mais sucesso nas suas operações.

*operar vendido é apostar na queda do mercado e funciona assim: o investidor vende um papel que ele acredita que vai cair até o final do dia e, antes do encerramento do pregão, compra aquelas ações e ganha com a diferença de preço entre as duas transações. Também é possível operar vendido alugando ações, em prazos mais longos.

 

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