“Nota 7”, Brasil é o 4º país que mais intervém no câmbio, diz HSBC

Banco afirma que a guerra cambial está se intensificando no mundo; à frente do Brasil no ranking, aparecem apenas Argentina, Japão e Suiça como os mais intervencionistas

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SÃO PAULO – Em uma frase digna do ministro da Fazenda Guido Mantega, o HSBC, em relatório, afirmou que “a guerra cambial está se intensificando”, e o número de participantes está aumentando. Em uma análise contendo as 36 principais moedas do mundo, o banco mostrou a “guerra” cresceu nos últimos anos.

No relatório, o HSBC calculou a chance que cada país tem de atuar com maior intensidade no câmbio. Com valores de 1 a 10 – sendo que maior a nota, maior a chance de intervenção -, o Brasil melhorou sua posição em relação ao início do ano passado, porém, continua como um dos governos que mais atuam na moeda.

O País, que em janeiro de 2012 tinha nota 9, passou a ter nota 7 no novo relatório – ficando atrás de 27 países no ranking -, dividindo a 4ª posição com o Peru e Taiwan como um dos países mais intervencionistas. Atrás do Brasil ficaram países como Argentina, Suiça e o Japão, onde o novo governo tem tido forte atuação sobre o mercado cambial.

Na pesquisa, o banco levou em conta diferentes aspectos, como os discursos dos representantes econômicos, assim como as taxas de juros, quantidade de intervenções e medidas regulamentares. Os analistas do banco ainda destacam que nos países emergentes – caso do Brasil – este último item se tornou uma tática adicional para controle do câmbio.

Além disso, mudança de alíquotas de impostos e novas regras para o mercado são destacados como medidas para intervenções nas moedas. “O Brasil é um exemplo notável disso, onde novas alíquotas passaram a ser cobradas em operações financeiras que estavam pressionando o real.”, apontam os analistas.

No último ano, o governo realizou uma série de intervenções como forma de estimular a economia e a indústria no País, o que levou o dólar comercial para patamares acima de R$ 2,10. Porém, neste início de 2013, com a alta da inflação e a manutenção da taxa básica de juros, novas medidas do Banco Central levaram a moeda norte-americana a atingir valores abaixo de R$ 2.


Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.