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SÃO PAULO – A corretora Concórdia divulgou sua análise quanto ao cenário macroeconômico dos Estados Unidos para 2010 e 2011, e, inspirada na força dos resultados da política econômica governamental, acredita que o país não deve passar por um duplo mergulho. Porém, seguindo a desaceleração vista até o momento, a avaliação é de que o fraco desempenho continuará.
Para 2010, o analista Flávio Combat projeta crescimento de 2,7% no PIB (Produto Interno Bruto) real dos EUA. A projeção é justificada pela desaceleração do crescimento do país na passagem para o segundo trimestre, causada principalmente pelo aumento de importação e pela significativa redução na contribuição dos “investimentos privados em estoque” para o PIB.
Em 2011 espera-se que a economia norte-americana continue com dificuldades para impulsionar sua expansão, com projeção de aumento de 2,4% em meio a desafios de recuperação do consumo e do crédito e desalavancagem das famílias.
A manutenção do desemprego em elevados patamares é apontada como entrave para a recuperação do consumo das famílias. A geração de postos de trabalho não tem respondido da forma esperada às políticas anticíclicas mantidas pelo governo.
Política monetária
Na expectativa sobre a injeção de recursos através da compra de títulos a fim de aumentar a liquidez econômica, a chamada flexibilização quantitativa, o analista avalia que a autoridade monetária do país tem alertado para a persistência de um cenário com risco de recessão e deflação.
Com novas medidas de flexibilização, ao mesmo tempo em que o Federal Reserve pode favorecer a retomada do crédito e do consumo, o banco pode agravar a desvalorização do dólar frente às principais moedas do globo. Entretanto, as perspectivas de longo prazo são positivas. Para 2011, a projeção de Combat é de que tal política monetária resulte em uma gradual reversão do desemprego e aumento do consumo.
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Dessa forma, até 2011, a Concórdia não espera que o Fed altere sua política monetária – mantendo o juro básico no patamar de 0% a 0,25% ao ano. A partir de então, o analistas prevê o início de um novo ciclo de reajustes nos juros, terminando o próximo ano com a Fed Funds Rate em 1% ao ano.
Inflação
Sob forte influência do setor energético, o CPI (Índice de Preços ao Consumidor), que registrou alta de 0,3% em agosto, deve registrar alta de 1,3% neste ano, conforme as estimativas de Combat. Mas para 2011, na expectativa de eficiência nas políticas anticíclicas em estimular a geração de empregos e o aumento do consumo, espera-se maiores pressões inflacionárias, de modo que o CPI é estimado em 1,7%.
Em meio a um aumento de 0,4% no PPI de agosto, o analista projeta alta de 2,5% no acumulado de 2010. Para o próximo ano, a expectativa é de avanço de 2,9% em meio a elevados níveis dos preços das commodities, influenciadas pelo crescimento de economias asiáticas.
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Com atividade em nível acomodado e lenta recuperação do consumo das famílias, as pressões inflacionárias tendem a seguir controladas, na opinião da Concórdia.