No semestre, brasileiro comprou o dobro da produção industrial

Enquanto que, em volume, as vendas foram de 9,9%, a produção cresceu 4,8%. Motivo é a entrada de produtos importados

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SÃO PAULO – O brasileiro comprou o dobro no comércio, em volume, do que a indústria brasileira produziu. Dados divulgados nesta quarta-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o avanço das comercializações foi de 9,9% no semestre, enquanto que a fabricação ficou em 4,8% no mesmo período. A análise foi divulgada pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

“Em outras palavras, por suas forças, a economia está gerando um dinamismo em seu mercado consumidor muito superior à capacidade do seu setor industrial satisfazer a demanda em rápida evolução”, afirmaram técnicos do instituto por meio de nota. Entre outras considerações, os analistas levaram em conta que isso é resultado da oferta de importados.

Qualidade x preço

Conforme o Iedi, há muito a produção brasileira ficou em patamares inferiores – no que se refere a qualidade e custo – em comparação com seus concorrentes internacionais. “A modernidade das empresas industriais brasileiras, seus elevados padrões de produtividade vêm chamando a atenção. Isso mostra que a defasagem entre o mercado de consumo e a produção doméstica não se explica por problemas de oferta interna”, resumiram.

De qualquer maneira, não foi descartado que existe uma necessidade de avanços no setor industrial. É importante, sublinharam, ações “para que se alcance padrões ainda maiores de atualização tecnológica e de aumentos de produtividade na indústria brasileira”.

Perda de competitividade e valorização do real

Como fator desestimulante da competitividade da produção brasileira, foi apontado o custo tributário da folha de pagamento, o custo de investimento e também a qualidade e (novamente) o preço da infra-estrutura.

“Mas esses problemas não são novos, de forma que se de um lado compõem de fato o quadro da insuficiência competitiva dos produtos brasileiros, não explicam por si sós a piora da capacidade de abastecimento interna do mercado consumidor.”

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Por fim, analistas do Iedi citaram que a valorização do Real frente ao dólar, agravada pelo maior poder de compra ocorrido neste ano, foi o fator diferencial.

Dessa maneira, será necessário que a economia reaja com maior produtividade, que o governo atue mais na remoção do “custo Brasil” e que o câmbio encontre um novo patamar para que a capacidade produtiva nacional satisfaça mais amplamente o mercado consumidor interno.