3 pontos em que mercado vai ficar de olho após cessar-fogo entre Irã e EUA

Desde antes do anúncio oficial, no pré-mercado, os contratos de petróleo já caiam com força e assim seguiam durante a sessão desta quarta-feira

Lara Rizério Camille Bocanegra

(Foto: Alex Brandon/Pool via REUTERS e Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency)
(Foto: Alex Brandon/Pool via REUTERS e Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency)

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O esperado cessar-fogo entre EUA e Irã aconteceu, pelo menos de forma provisória, na noite desta terça-feira (7). A partir de 10 de abril, os termos de acordo definitivo serão negociados entre os países e os ataques diretos foram suspensos, embora continuem em outros alvos do Oriente Médio, como Líbano, Kuwait e Arábia Saudita.

A reação dos mercados internacionais foi de automático alívio. Desde antes do anúncio oficial, no pré-mercado, os contratos de petróleo já caiam com força e assim seguiam durante a sessão desta quarta-feira.

“O derretimento dos preços reflete o acordo temporário de cessar-fogo firmado entre EUA e Irã na noite passada, com os investidores esperando uma retomada da circulação de petróleo e derivados pelo Golfo Pérsico”, afirma Bruno Cordeiro, especialista de Inteligência de Mercado da Stonex.

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Segundo o especialista, o acordo derrubou prêmios de risco associados à oferta de petróleo no Golfo Pérsico, com os investidores precificando a retomada gradual das exportações da commodity pela região no curtíssimo prazo.

1- Estreito de Ormuz

Um dos pontos mais acompanhados desde o início do conflito é a abertura total do Estreito de Ormuz. Como anunciado por Trump, a trégua é e segue condicionada a manutenção do canal com circulação de navios.

Ainda não há informações oficiais sobre a retomada do tráfego, mas há expectativa de que seja realizada com adoção de política de pedágios e taxas de tráfego. As atenções do mercado devem ficar voltadas para a circulação e seu impacto nos preços dos contratos.

“Vale lembrar que cerca de 800 navios seguem travados no Golfo Pérsico, de modo que o cessar-fogo deve aliviar a pressão logística na região e permitir, enquanto o acordo durar, a volta do transporte de commodities energéticas e agrícolas na intersecção entre o Golfo Pérsico e o Oceano Índico”, diz Cordeiro.

2- Eventuais divergências entre EUA e Irã

Apesar do cessar-fogo ter duração estabelecida de duas semanas, ambas as frentes já afirmaram que seguem preparadas para retomada do conflito a qualquer tempo se as condições não forem respeitadas. Mais cedo nesta quarta-feira, o Irã ameaçou romper o cessar-fogo se Israel seguisse atacando o Líbano.

“Apesar da consolidação do cessar-fogo, existe ainda uma ampla divergência em relação à diversos pontos demandados para o fim da guerra, o que deve dificultar um acordo de paz definitivo”, diz Cordeiro.

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O analista destaca que, se o acordo não sair nos próximos dias, é possível que o mercado volte a trabalhar com uma trajetória altista das cotações.

Por outro lado, a consolidação de uma resolução de paz deve estender a queda dos contratos do petróleo e de derivados fósseis, com os riscos logísticos associados ao fluxo do Golfo Pérsico derretendo.

3- Velocidade de recuperação

Os mercados globais precisarão ⁠de meses para se recuperar do impacto ⁠do conflito no Oriente Médio mesmo que um frágil ‌cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã seja mantido, disseram especialistas da Oxford Economics nesta quarta-feira.

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“O acordo é frágil, os ⁠principais ‌detalhes operacionais ainda precisam ser trabalhados e, mesmo na melhor ⁠das hipóteses, é provável que os fluxos físicos (de petróleo) se recuperem apenas gradualmente”, disse Bridget Payne, chefe de previsão de petróleo e gás da Oxford Economics, em um webinar.

(com Reuters)

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Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.