No more Mr. Nice Guy: Bernanke traça a linha de limite do risco moral

Agora aberto 24 horas e também aos finais de semana, Federal Reserve deixa Lehman Brothers à busca de uma saída, sozinho

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SÃO PAULO – 9 de agosto de 2007, quinta-feira, foi “o dia em que o mundo mudou”, segundo o ex-chefe do falido banco inglês Northern Rock, Adam Applegarth. Naquele dia o mundo viu a liquidez do mercado interbancário secar. 15 de setembro de 2008, segunda-feira, “não há espaço suficiente na primeira página dos jornais do país para todas as notícias de hoje”, diz a consultoria First Trust Advisors, em relatório.

O Lehman Brothers pediu falência, a Merrill Lynch foi comprada pelo Bank of America e os bancos centrais anunciaram mais uma injeção de liquidez, além de a AIG declarar que necessita capital. Agora, entretanto, diferentemente da ajuda concedida ao Bear Stearns na sua venda ao JP Morgan, em março, o Federal Reserve deixou o Lehman se resolver sozinho. Chega de ser o cara bonzinho. “No more Mr. Nice Guy”, como afirma o cantor Alice Cooper.

Risco moral

“É fundamental que quem arriscou mais e perdeu efetivamente sofra as perdas para que o sistema funcione corretamente, evitando o risco moral”, avalia Juan Jensen, coordenador de macroeconomia da Tendências Consultoria. Para ele, a posição do Fed não é mudança de postura ante ao que possa considerar risco moral, como o BoE (Bank of England) que ainda no início da crise negou ajuda ao Northern Rock, antes de nacionalizá-lo.

“Eu nunca considerei que seria apropriado colocar dinheiro dos contribuintes na linha como solução para o Lehman Brothers”, disse Henry Paulson, secretário do Tesouro norte-americano, em discurso nesta segunda-feira. “Nesta situação o BC norte-americano não viu um problema sistêmico”, analisa Jensen.

– Pensamentos sobre o 15 de setembro –
“Olhando para frente, acreditamos que estes três eventos, juntos, podem ajudar a marcar o começo do final da crise atual”, Bob Doll, vice Chairman e diretor da Black Rock Investments, em relatório.
“Não há espaço suficiente na primeira página dos jornais do país para todas as notícias de hoje”, Brian S. Wesbury e Robert Stein, economistas da First Trust Advisors, em relatório.

“A aposta é que o sistema financeiro está sólido o suficiente para resistir a um grande choque como este. No entanto, os últimos acontecimentos provavelmente levarão a uma crise de crédito ainda mais longa e profunda do que foi anteriormente prevista”, Banco Santander, em relatório.

“Dado que os EUA sobreviveram ao 11/9 e um ataque direto físico aos prédios das nossas instituições financeiras, tenho fé que conseguiremos lidar com esta tempestade também… mas isso vai ser feio”, Andrew B. Busch, estrategista global da BMO Capital Markets, em relatório.
“Movemos o nosso preço-alvo [do Lehman Brothers] de US$ 9 para US$ 0 e reduzimos a recomendação para venda”, Citigroup Global Markets, em relatório.

“O Fed e o Tesouro não poderiam prover suporte para todas as instituições financeiras com problemas e traçaram a linha com o Lehman”, Société Générale, em relatório.

Consolidação bancária

Além do limite da discussão do mercado financeiro, ajudar instituições tem o seu preço político, avalia Anthony B. Sanders, professor de Finanças e Setor Imobiliário da W.P. Carey School of Business. Para o economista, que é especialista nos desenvolvimentos com as agências Fannie Mae e Freddie Mac, nacionalizadas recentemente, “restam poucas fichas para o Governo Federal jogar”.

A opção é estimular a consolidação do setor, como o visto com a aquisição da Countrywide pelo Bank of America e, agora, com a Merrill Lynch. “O que é necessário nos EUA é uma revisão geral do sistema bancário e dos bancos de investimento, particularmente com certos indivíduos que exageram ao tomar riscos e depois enviam a conta para os contribuintes norte-americanos”, diz Sanders.

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“Uma lição importante aprendida neste final de semana é de que o termo ‘muito grande para falir’ não funciona mais, assim como o ‘risco sistêmico’ não justifica mais um socorro do governo”, diz Tom Sowanick, chefe de investimentos da Clearbrook Research. O economista crê que atualmente o problema enfrentado pelos bancos de investimento não é liquidez, mas simplesmente “confiança”.