No longo prazo, flexibilização monetária do Fed pode afetar economia dos EUA

Dólar mais fraco eleva risco inflacionário; para analistas, atual crise do subprime foi ocasionada por cortes no juro em 2001

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SÃO PAULO – Desde que a crise do subprime foi deflagrada por volta do segundo semestre de 2007 nos EUA, estendendo-se posteriormente ao resto do mundo, a flexibilização da política monetária no país vem sendo adotada pelo Fed como um remédio aos males.

Contudo, se por um lado, os cortes na Fed Funds Rate, que em cinco meses já foi reduzida em 1,75 ponto percentual, agradam os investidores e trazem certo alívio às praças financeiras, o impacto sobre a economia norte-americana pode ser desastroso.

Como exemplo, analistas traçam um paralelo entre a atual crise imobiliária no país e a configurada em 2001. À época, o Federal Reserve também optou por reduzir a taxa básica de juros, como forma de estimular a economia e, desta forma, resgatá-la da recessão.

Embora a medida tenha sido bem sucedida em seu intento, gerou outro efeito: com juros mais baixos, o setor de crédito passou a crescer expressivamente, incluindo os empréstimos imobiliários de maior risco. Era o começo de outra crise, a do subprime.

Riscos inflacionários vêm sendo desprezados

De fato, uma política monetária mais flexível tem sido aplicada pelo Banco Central dos EUA como medidas eficazes em tempos de crise. Entretanto, para muitos analistas, a forte trajetória de cortes na Fed Funds Rate encontra respaldo no perfil agressivo de Ben Bernanke, chairman da autoridade norte-americana.

Bernanke vem dirigindo a instituição sempre de olho no desempenho das praças financeiras, a saber, a decisão de reduzir o juro básico do país na última terça-feira, uma semana antes da reunião oficialmente agendada. Para muitos, o Fed pode estar se tornando um refém do mercado.

E com isso, as pressões inflacionárias vêm sendo postas de lado pela autoridade norte-americana. Embora admita que, no trade-off entre recessão e inflação, não se pode ficar “em cima do muro”, o professor da Esalq-USP, Geraldo Sant’ana de Camargo, sugere que a postura do Fed pode dar início a um processo inflacionário de proporções mundiais.

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Dólar mais fraco, economia mais fraca

Um dos elementos que vem motivando uma aceleração inflacionária nos EUA, o que também vem acelerando nos últimos meses é a tendência de desvalorização do dólar frente às principais moedas do mundo, em especial, em relação ao euro.

Tal movimento depreciativo da moeda, que já vinha ocorrendo antes da crise do subprime, vem ganhando força com a flexibilização monetária. Devido ao corte mais recente de 0,75 ponto percentual, a Fed Funds Rate agora se encontra 0,50 ponto percentual abaixo da juro básico europeu, o que eleva a atratividade do euro aos investidores internacionais.

Com um dólar mais fraco no mundo, o fluxo de investimentos estrangeiros ao país vem caindo, o que em uma análise a médio prazo e longo prazo, deverá pressionar positivamente as taxas de juros e logo, o crescimento econômico norte-americano.

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“A habilidade das autoridades monetárias de estimular suas economias encontra seu limite na recusa do resto do mundo de acumular reservas adicionais em dólar”, esclarece George Soros, em entrevista realizada à mídia internacional nesta semana.