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SÃO PAULO – Após mais de sete anos de deflação, os consumidores japoneses terão que se acostumar com uma nova realidade: a alta dos preços. Se de um lado a tendência de alta dos preços vem sendo comemorada, pois deve colocar um fim à política de juro zero do Banco do Japão (BoJ), por outro já causa preocupações entre os consumidores, que temem o impacto no seu bolso.
A questão é particularmente delicada se considerarmos que o país passa por um momento de maior desigualdade de renda. Nesse cenário, o aumento dos preços deve reforçar ainda mais essa desigualdade, uma vez que a combinação de alta dos preços e dos juros favorece à parcela da população de maior poder aquisitivo, que pode investir.
Maioria projeta alta de ao menos 0,8% em 2007
Para o ano fiscal de 2007, os economistas prevêem que, em seu próximo relatório sobre as perspectivas da economia japonesa, o Banco do Japão deve projetar uma alta de 0,8% no índice de preços ao consumidor.
A constatação se baseia em pesquisa feita pelo periódico japonês Kyodo, que envolveu 23 economistas do setor privado. O relatório deve ser divulgado na próxima sexta-feira (28).
Segundo a pesquisa do periódico japonês, 12 dos economistas entrevistados acreditam que o BoJ deve projetar uma alta de 0,8% do IPC, outros 7 acreditam que a projeção de alta seja ainda maior de 0,9% e 2 projetam alta de 1%.
Apenas dois dos economistas entrevistados acreditam que o BoJ deve projetar uma alta de 0,7% dos preços ao consumidor. Na prática isso equivale a dizer que 91% dos entrevistados acreditam que o BoJ deve projetar alta de ao menos 0,8% para o ano fiscal de 2007.
Em 2006, alta de 0,5%
No que refere ao ano fiscal de 2006, os analistas acreditam que a autoridade monetária deve projetar uma alta de 0,5% dos preços, mesmo patamar indicado no relatório de outubro do BoJ.
A enquête conduzida pelo Kyodo também constatou que 14 dos 23 economistas acreditam que o BoJ deve anunciar um crescimento acima de 2,5% para a economia japonesa no ano fiscal de 2006. Os outros 9 economistas estão menos otimistas, e projetam alta entre 2% e 2,5%.