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SÃO PAULO – À luz do crescente déficit fiscal nos EUA, é tentador pensar em uma saída inflacionária para resolver os problemas no orçamento. Um aumento nos preços reduziria o valor real da dívida passada, e a inflação futura – ceteris paribus – reduziria os recursos reais para pagar as pendências correntes.
Entretanto, será que a saída é tão simples assim, como pregado cada dia mais por vozes no mercado? Em relatório intitulado “Não podemos inflar nosso caminho de saída”, o Morgan Stanley rebate a tese inflacionária e traça paralelos com o passado, à procura de justificativas para negar o uso dos preços no combate ao déficit.
Inicialmente, algumas projeções: a dívida pública dos EUA deverá chegar a 60,7% do PIB (Produto Interno Bruto) no final de 2010. Na próxima década, tal pendência deverá saltar para nada menos que 87% do nível de produto. Em termos absolutos, a dívida mais do que dobrará no período.
Problemas de curto, soluções de médio
Se o crescimento da dívida é inevitável, resolvê-la pela inflação não é o caminho, conforme o banco. A imposição de uma meta de 4% para a inflação, que atualmente é implícita na casa de 2%, é defendida por muitos economistas.
“Por uma perspectiva de política monetária, não podemos discordar mais”, disparam os analistas. Nesse sentido, o Morgan Stanley ressalta que as metas inflacionárias surtem efeito no médio prazo, e não servem para curar choques adversos.
Tiro no pé
Para discordar, o banco lista um tripé para descartar a tese inflacionária. O primeiro ponto é que os investidores reconhecerão uma inflação implícita, o que elevará os yields dos Treasuries.
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O segundo fator é que quase metade dos dispêndios do Federal Reserve está relacionada (diretamente ou indiretamente) com a inflação. Gastos com Previdência Social, por exemplo, integram tal lista.
No tocante à terceira justificativa, os analistas ressaltam que, diante das pressões políticas, o Fed provavelmente não permitirá que os preços saiam do controle, muito menos encorajá-los a isso.
Deve ficar baixa, mas riscos sempre existem
Quanto às expectativas de inflação, os analistas estimam que a mesma deverá se manter baixa nos próximos dois anos – em ou abaixo dos 2%. No curto prazo, o banco acredita a fraqueza dos mercados imobiliário e de trabalho levará o core CPI (Consumer Price Index) a patamares próximos a 1%.
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Subsequentemente, com a melhora da economia e com a expectativa de ascensão dos bens primários, o Morgan Stanley projeta que a inflação voltará para níveis próximos de 2% em 2011.
Por outro lado, os analistas não descartam possíveis riscos inflacionários, à medida que as políticas expansionistas ao redor do mundo, aliadas às pressões políticas contra cortes nos gastos públicos, poderão exercer pressão.