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SÃO PAULO – Após longas perdas acumulada no 1º trimestre do ano, as ações da Multiplus (MPLU3) começam a dar sinais de recuperação em abril, movimento este que ficou mais evidente nesta sexta-feira (26). Boa parte da alta da companhia responsável por administrar o programa de fidelidades da TAM pode ter vindo justamente de sua principal concorrente no mercado brasileiro: a Smiles, empresa que faz o mesmo serviço para a Gol (GOLL4).
Às 17h10 (horário de Brasília) desta sexta-feira, os papéis da Multiplus subiam 6,3%, cotados a R$ 34,65. No mês, os ganhos acumulados já superam a casa dos 15%, enquanto que da mínima do ano (R$ 27,15, alcançada no final de março), a valorização está próxima dos 30%.
Isso porque esta sexta-feira saiu o resultado do rateio do IPO (Initial Public Offering) da Smiles, mostrando que a oferta teve uma forte demanda. Essa grande procura, na opinião de Helder Soares, sócio da Claritas Investimentos responsável por um portfólio de R$ 1,5 bilhão em ações, serviu para mostrar que as preocupações do mercado sobre a autonomia das empresas de milhagem não é tão grande assim.
A Smiles captou R$ 1,132 bilhão em sua oferta inicial de ações. O preço por ação foi de R$ 21,70, valor entre o piso de sugerido para a ação, de R$ 20,70, e o patamar máximo, de R$ 25,80. Foram vendidas 52,2 milhões de ações, atendendo completamente ao lote inicial, de 38,6 milhões, mais os lotes adicional e suplementar.
Recuperando a atratividade do setor
Esse possível ceticismo dos investidores em relação às companhias de programas de fidelidade ganhou forças principalmente após a Multiplus anunciar que pretendia realizar no começo deste ano uma oferta de ações. O problema é que o objetivo da capitalização não era de financiar seus próprios projetos, mas sim de ajudar o caixa da sua controladora, a TAM.
No total, a distribuição pública primária deveria levantar cerca de R$ 800 milhões dinheiro que seria utilizado para comprar passagens de sua controladora, a TAM – companhia aérea que deixou a bolsa após a fusão das operações com a chilena Lan Airlines, que deixou origem à Latam (LATM11). Essa quantia então diretamente transferida para o balanço da controladora, através de compra de passagens aéreas. O motivo da oferta, porém, fez com que houvesse praticamente nenhuma demanda pela oferta de aquisição da Multiplus, o que fez com que ela fosse cancelada.
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A notícia reverberou de maneira negativa e, até o final de março, os papéis MPLU3 acumulavam perdas de mais de 40% no ano, indo de R$ 47,15 (fechamento de 2012) para R$ 27,15 (mínima do ano).
Smiles “salva” Multiplus
A falta de demanda, porém, não foi interpretada puramente por conta dos temores de manipulação. Ela sinalizava que o segmento de milhas aéreas não atraía o mercado como outrora. E é nesse ponto que entra o IPO da Smiles: ele serve para mostrar que existe, sim, expectativas boas para o segmento.
Além disso, não foi a primeira vez que o mercado demonstrou apreensão ao setor. O próprio IPO da Multiplus foi carregado de incertezas em relação à como os recursos seriam utilizados – dúvdas essas que foram diluídas com os bons resultados apresentados pela companhia desde a abertura de capital.
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Follow-on foi estranho?
Uma oferta da Multiplus foi cortar da própria carne: da sua máxima histórica – R$ 48,90, obtida no intraday de 30 de novembro de 2012 -, a ação caiu cerca de 45,00%, para R$ 27,00, patamar alcançado no dia 8 de março e que também representa o menor preço da ação desde novembro de 2011. Para Juliano Carneiro, trader profissional e blogueiro do portal InfoMoney, o movimento da empresa de vir para o mercado foi ao menos estranho – não precisava de tanto, já que a Multiplus já estava capitalizada.
Carneiro salienta que existe uma grande desconfiança por parte do mercado em relação às companhias aéreas, o que justificaria a utilização dessa distorção. “Parece aquele tipo de negócio que, por conta do interesse de um majoritário, atrapalha milhares de minoritários. Simples assim”, destaca.
A oferta então seria uma transfência dos problemas da Latam para a controlada Multiplus, que poderia perder a confiança do mercado, mesmo sendo uma das empresas com os melhores indicadores financeiros da Bovespa. “Para TAM isso é um ótimo negócio, já para a Multiplus, não é um bom negócio. Vai diluir a participação dos acionistas, só vai ter a mesma quantidade de ações quem colocar dinheiro do próprio bolso e comprar mais”, destaca.
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O sucesso do IPO da Smiles pode ajudar a ressucitar os planos da Latam de realizar uma oferta de ações da Multiplus para se capitalizar. “Isso é usar uma empresa boa para abastecer a ruim, e quando o dinheiro acabar, vai ter mais coisas por aí, como empréstimos realizados pela Multiplus para compra de passagem ou mais lançamentos”, afirma Carneiro.
Para ele, isso faz com que o investidor das empresas de programa de fidelidade coloquem indiretamente o seu dinheiro em um negócio que não é bom. “Há uma máxima que diz ‘não coloque dinheiro bom em negócio ruim!”, finaliza o trader.