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SÃO PAULO – Grande destaque da agenda econômica desta quarta-feira (15), o desfecho da primeira reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) de 2014 é bastante aguardado pelo mercado. E se o ciclo antes parecia bastante definido, agora as projeções se mostram bastante divididas. Enquanto parte do mercado acredita que deve haver uma alta de 0,25 ponto percentual na Selic, para 10,25%, outra parte vê o Copom elevando a taxa básica em 0,5 ponto percentual, opinião que ganha forças em meio aos últimos dados econômicos de inflação e com a maior volatilidade do câmbio.
Conforme aponta a SulAmérica Investimentos, embora não haja uma direção muito clara sobre a magnitude do movimento, tem ganhado força a hipótese de uma nova alta de 0,5 ponto percentual. Um dos motivos para tanto é a resiliência da inflação: o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) fechou 2013 a 5,91%, acima do número estabelecido pelo BC que era de um número inferior à inflação de 2012.
Além disso, diferentes medidas de núcleo apontam para a deterioração adicional do ambiente inflacionário, que em meio à piora das expectativas, não configurariam como o momento adequado para afrouxamento da política monetária, ressaltou a SulAmérica. “Neste caso, o Copom deve manter o ritmo de alta de 0,50 ponto percentual”, ressalta o economista-chefe da corretora, Newton Rosa.
A LCA Consultores aponta que o Copom deve desacelerar ritmo de alta, mas a volatilidade cambial e a inflação “salgada” podem levar a extensão do ciclo de aperto monetário. “As sinalizações mais recentes do Copom sugerem que o ciclo de elevação da Selic deverá ser desacelerado; e que o ajuste remanescente não deverá se estender significativamente. Porém, as desconfortáveis trajetórias recentes da cotação cambial e, sobretudo, da inflação colocam em xeque essa perspectiva – e também põem em dúvida nossa projeção de que o ciclo de aperto monetário será encerrado quando a Selic tiver alcançado 10,5% ao ano”, avaliam os economistas da consultoria.
Contudo, uma confirmação da Selic para o final do ano em 10,5% ao ano parece estar condicionada há dois fatores. O primeiro fator é a confirmação de que o ritmo de elevação será desacelerado para 25 pontos-base já nesta semana e o segundo fator é a preservação do conteúdo do comunicado de política monetária, sobretudo no que se refere à duração do ciclo de aperto e aos seus efeitos cumulativos sobre a atividade e inflação. Neste cenário, aponta a LCA, a chance de que a alta da Selic seja estendida para além do projetado, que já era relevante, parece ter aumentado ainda mais com a divulgação do IPCA de dezembro.
A SulAmérica também ressalta a importância do comunicado que, segundo a corretora, provavelmente deixará a porta aberta para a continuidade do aperto monetário em fevereiro.