NET: com adiamento da oferta, sugestões divergem, mas alto risco é consenso

Diante das novas exigências da CVM, analistas revelam incertezas quanto ao êxito do processo e a elevação no valor da oferta

•

Publicidade

SÃO PAULO – A Embratel (EBTP4) comunicou ao mercado na noite da última terça-feira (28) um novo adiamento do leilão para a OPA (Oferta Pública de Aquisição) dos ativos da NET (NETC4), revelando algumas alterações nas exigências da CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Cabe lembrar que no último dia 19 o leilão já havia sido postergado.

A América Móvil – grupo controlador da Embratel – informou que a área técnica da CVM comunicou que o limite de um terço das ações preferenciais da NET, as quais serão alvo da oferta, deve ser calculado com base nas ações preferenciais da empresa em circulação em 4 de setembro de 2000, o que equivale a 1,2 milhão de ações. No entanto, ficou estabelecido que, caso haja aceitação por mais de dois terços das ações preferenciais da companhia, a Embratel deverá adquirir a totalidade das ações ofertadas.

Com isso, ou a Embratel compra ao menos dois terços do free float da NET pelo preço proposto de R$ 23 por ação, ou apenas as 1,2 milhão de ações. “As incertezas quanto ao sucesso da oferta pressionam os papéis da NET que fecharam ontem (30) o pregão com queda de 2,1%”, comenta Luciana Leocadio, analista da Ativa Corretora.

Elevação no preço?
“Há especulação de que parte dos acionistas da empresa estaria disposta a vender suas ações apenas a partir de R$ 26,00, e não por R$ 23,00, conforme a oferta da Embratel”, observa, revelando sua visão “negativa” sobre o novo adiamento.

Sobre o tema, Tomás Lajous, estrategista que assina o relatório do UBS, vê alterações na percepção do mercado sobre a oferta. “Achamos que isso pode levar o mercado a esperar que o preço da oferta possa ser levantado, como se a adesão dos ‘dois terços’ não for atendida, a operação irá essencialmente fracassar”.

No entanto, mesmo com o sentimento do mercado à espera de aumento no valor da oferta, Lajous minimiza a chance disto vir a ocorrer. “Ainda assim, acreditamos que esta alternativa continua a ser bastante improvável”.

Continua depois da publicidade

Em linha com o UBS, a equipe do Banco Fator Corretora, integrada por Jacqueline Lison, Luiz Guilherme Fonseca e Mateus Renault, revelam em relatório suas dúvidas quanto ao êxito da operação. “Acreditamos que essa mudança, caso seja mantida, reduziu as chances de sucesso da Embratel em obter aprovação de dois terços na operação, em função do aumento das incertezas”, comentam. “Adicionalmente, a percepção de risco para investidores que estavam arbitrando a operação aumentou consideravelmente”, prosseguem, prevendo recuo dos papéis.

Recomendações
Uma vez discorridas as expectativas pelo valor da oferta, Luciana Leocadio, da Ativa, revela sua sugestão ante a operação: “mantemos nossa recomendação de adesão da oferta”. Postura esta compartilhada por Maria Tereza Azevedo, analista da Link Investimentos: “Mantemos a recomendação de adesão à oferta que, em nosso ver, teria sido bem sucedida (aproximadamente 70% de adesão) se ocorresse hoje. Neste cenário, mesmo que ocorra um aumento de preço, este prêmio seria estendido aos acionistas que participaram da oferta”

Por sua vez, o UBS recomenda o oposto, a venda dos papéis da companhia neste momento. “Apesar das oportunidades de arbitragem decorrentes de uma elevação no preço da oferta, reiteramos a nossa sugestão de venda dos ativos.”