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A Iberdrola, controladora da Neoenergia (NEOE3), anunciou nesta quinta-feira um acordo para comprar a participação de 30,29% da Previ na sua subsidiária brasileira a R$ 32,50 por ação, totalizando R$ 11,95 bilhões. Com a operação, a fatia da companhia espanhola na elétrica brasileira vai subir de 53,5% para 83,8%. Às 11h55, as ações da Neoenergia subiam 3,09%, a R$ 29,06.
Segundo o Morgan Stanley, a transação já era em parte esperada pelo mercado, após reportagens não confirmadas sobre o tema. O banco destacou que a aquisição é consistente com os comentários positivos sobre o Brasil, com a estratégia de alocação de capital em redes (a maior parte do negócio no país) e também segue o movimento de fechamento de capital da subsidiária americana Avangrid no ano passado.

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A Iberdrola informou que a transação deve ser acretiva para o lucro por ação (EPS) já a partir do primeiro ano e será financiada por meio de recentes rotações de ativos e parcerias (enquanto os recursos da emissão de ações serão destinados ao crescimento orgânico de redes no Reino Unido e nos EUA). O acordo deve acrescentar cerca de 3% ao lucro líquido bruto projetado para 2026, ou aproximadamente 2,3% líquido, já considerando a perda de receitas financeiras sobre o caixa usado.
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Para o Morgan Stanley, o negócio pode reduzir as preocupações do mercado quanto a potenciais aquisições de grande porte, após a recente mobilização de capital, embora a continuidade de operações menores (bolt-on deals) possa reforçar dúvidas sobre a capacidade do crescimento orgânico em sustentar o ritmo de expansão dos lucros da Iberdrola.
Em termos de valuation, a transação implica em um prêmio de 15% sobre o preço de fechamento da véspera, múltiplo de 10 vezes P/L (Preço sobre Lucro) para 2026 e múltiplo Valor da Firma (EV)/EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) de 5,8 vezes — em linha com os pares. O Morgan Stanley destacou que esses números ficam bem abaixo dos múltiplos do grupo Iberdrola de 16,7 vezes P/L para 2026 e 9,9 vezes EV/EBITDA, o que não deve surpreender, já que os ativos estão concentrados no Brasil.
Olhando para o futuro, o Morgan Stanley destaca que até o momento, a Iberdrola não indicou se pretende adquirir os 16,2% restantes da Neoenergia e retirar a companhia da bolsa.
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Considerando o mesmo preço da operação anunciada, uma potencial oferta de fechamento de capital teria custo estimado em R$ 6,4 bilhões, o que representaria apenas uma parte das recentes alienações de ativos da Iberdrola e aproximadamente 1% do valor de mercado do grupo.
O BTG, por sua vez, explica que o acordo não aciona os direitos de tag-along, já que há apenas duas interpretações possíveis: ou trata-se de uma consolidação de controle, ou a Iberdrola já era a controladora, sem alteração no comando da empresa. Em ambos os cenários, não há gatilho para o direito de venda conjunta.
Na avaliação do BTG, a Iberdrola deve levar algum tempo para definir estrategicamente os próximos passos. Considerando a intensidade de capital do setor elétrico no Brasil e as oportunidades futuras, a companhia controladora pode optar por manter a Neoenergia listada, preservando o acesso ao mercado de capitais local. Para o banco, o ponto central do debate sobre um eventual fechamento de capital é que a Iberdrola não precisa se apressar em tomar uma decisão.
Em relação às ações, o BTG destacou que a transação foi realizada com um prêmio de 15% sobre o preço de fechamento da véspera. A Neoenergia está sendo negociada atualmente com uma taxa interna de retorno (TIR) real de 11,4%.
O relatório ainda ressaltou que a companhia é uma operadora sólida, mais conservadora na alocação de capital e com perfil de fluxo de caixa de duration de 13 anos, características que reforçam sua atratividade para se beneficiar da narrativa de queda dos juros.
O JPMorgan avalia que a probabilidade de uma oferta voluntária é alta, pois a Iberdrola tem interesse em ampliar ainda mais sua participação na Neoenergia, especialmente após a saída da Previ.
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No entanto, o JPMorgan acredita que qualquer próximo passo só deve ocorrer após a conclusão da compra da participação da Previ, prevista para o fim de 2025. Sobre valuation, o preço pago à Previ deve servir como referência para uma eventual oferta — com possíveis ajustes monetários aplicados apenas depois do anúncio formal.