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O JPMorgan reduziu a recomendação para as ações da Natura (NATU3) de overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) para neutra, diante de novas preocupações com a execução da companhia, enfraquecimento do desempenho operacional e menor confiança na trajetória dos lucros. O banco estabeleceu preço-alvo de R$ 8,50 para dezembro de 2027, abaixo dos R$ 11 projetados anteriormente para dezembro de 2026.
Na avaliação do banco, a conclusão do processo de simplificação da Natura, que incluiu a venda integral da Avon International fora da América Latina, reduziu riscos extremos para a tese. Isso, contudo, não foi suficiente para compensar o surgimento de novas preocupações operacionais.
O JPMorgan afirma que a tese de melhora da geração de caixa não está se concretizando conforme esperado, enquanto o valuation não parece especialmente atraente em relação aos pares diante do fraco momento operacional, dos problemas de execução e da perspectiva de mais um processo de recuperação dos negócios.
O banco estima que o novo preço-alvo ainda represente potencial de valorização de aproximadamente 25% a 30%, mas considera esse upside limitado diante dos riscos atuais. A mudança no alvo incorpora aumento do custo de capital e redução de 15% na estimativa de lucro por ação.
A revisão das estimativas ajuda a explicar a mudança de postura. Para 2027, o JPMorgan reduziu em 2% a projeção de receita líquida, para R$ 22,7 bilhões, e em 10% a previsão de Ebitda, para aproximadamente R$ 3 bilhões. A estimativa de lucro líquido das operações continuadas caiu 15%, de R$ 1,5 bilhão para R$ 1,27 bilhão.
A pressão também aparece em 2026. A estimativa de lucro líquido das operações continuadas foi reduzida em 41%, de R$ 311 milhões para R$ 184 milhões. Já a despesa financeira líquida esperada aumentou 16%, para R$ 1,14 bilhão.
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O JPMorgan projeta agora receita líquida de R$ 21,29 bilhões para 2026, retração de 4% na comparação anual, e Ebitda de R$ 2,45 bilhões, avanço de 10%. Para 2027, o banco ainda espera recuperação, com receita crescendo 7% e Ebitda avançando 24%, mas a trajetória ficou abaixo do que era projetado anteriormente.
Avon volta a preocupar
Entre os principais motivos para a cautela está o desempenho da Avon na América Latina.
Segundo o JPMorgan, as tendências operacionais continuam fracas apesar dos ajustes feitos nas marcas, enquanto a visibilidade sobre a receita no curto prazo permanece baixa. O banco aponta o desempenho enfraquecido da Avon na região, dificuldades persistentes no canal de venda direta, ambiente de consumo desfavorável e um cenário competitivo em rápida transformação.
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Na visão da instituição, esse conjunto de fatores reduz a confiança sobre a trajetória dos resultados justamente quando a companhia atravessa outra etapa de transformação.
O banco reconhece que a agenda de eficiência pode funcionar como amortecedor. A administração trabalha com uma redução de aproximadamente 25% a 30% das despesas corporativas, iniciativa que pode aliviar a pressão sobre margens e apoiar a geração de caixa. Ainda assim, para o JPMorgan, os ganhos potenciais não são suficientes neste momento para sustentar a antiga recomendação mais positiva.
Nem o desconto do papel convenceu
O corte acontece mesmo depois de uma forte desvalorização das ações. No período de dois meses acompanhado pelo relatório, NATU3 acumulava queda de 20,8%, o pior desempenho entre os papéis apresentados pelo JPMorgan naquele comparativo. Em duas semanas, a baixa chegava a 17,4%.
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O valuation também está bastante abaixo do histórico. Pelos dados de consenso compilados no relatório, as ações negociavam a 8,4 vezes o lucro projetado, desconto de 72% frente à média histórica considerada pelo banco, de 29,5 vezes.
Isso, porém, não é suficiente para transformar NATU3 em uma oportunidade aos olhos do JPMorgan. Pelas próprias estimativas do banco, a companhia negocia a aproximadamente 7 vezes o lucro de 2027 e 6 vezes o de 2028. A instituição não identifica diferenciação relevante em relação aos pares que justifique manter uma visão mais positiva sobre a ação no curto prazo diante dos riscos para os resultados.
O banco também chama atenção para a composição dos resultados. Em sua análise de qualidade dos lucros para 2027, apenas 19% do resultado da Natura é classificado como operacional, enquanto 65% aparece associado a incentivos de ICMS e outros 15% a subvenções tributárias.
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