Natixis: aumento da aversão ao risco causado pela crise econômica tem sido positivo

"Paradoxalmente" o que seria uma coisa ruim tem facilitado, por exemplo, financiamentos de déficits fiscais pelos governos

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SÃO PAULO – O aumento na aversão ao risco observado entre os investidores desde o início da crise financeira mundial não é tão negativo quanto parece. Segundo avaliaram os analistas do banco Natixis, existem duas consequências favoráveis decorrentes desta elevação.

A primeira das conseqüências, de acordo com os analistas, seria a menor dificuldade pelos governos de financiar déficits fiscais elevados, o que trava o ritmo de crescimento das taxas de juros no longo prazo. Este processo seria positivo, uma vez que a crise financeira forçou os governos a contraírem elevados déficits fiscais e a aumentarem o valor das dívidas públicas.

Já o segundo ponto positivo observado seria que, com o alto nível dos riscos e volatilidades, os bancos são impedidos de obterem receitas suficientes a partir de atividades que normalmente ocorrem quando se tem uma baixa aversão ao risco, tais como financiamento da economia e cobertura, além de eliminar o incentivo para assumir riscos excessivos.

Riscos e vantagens

Segundo os analistas, o aumento na aversão ao risco dos investidores canalizou as poupanças em dívidas públicas, “o que obviamente torna mais fácil financiar déficits fiscais em detrimento de outros ativos”. Por outro lado, o banco destacou que o aumento no risco preocupa todos os ativos: títulos dos governos, títulos corporativos e de bancos, empréstimos e ações.

Os analistas do banco ressaltaram ainda que no atual cenário, um retorno aos baixos níveis de aversão ao risco poderia ser, “paradoxalmente”, um fator preocupante. Com o atual nível elevado da aversão ao risco, “está mais fácil de financiar os grandes déficits fiscais e os bancos estão voltando a gerar lucros sem riscos em excesso”, concluiu o banco.