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Podem acreditar é fato: o ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha, convidado pela presidente Dilma Rousseff, não aceitou mudar-se para a Secretaria (Ministério) das Relações Institucionais, hoje comanda pelo petista gaúcho Pepe Vargas.
Se aceitasse a troca, além de botar um pé no Palácio do Planalto, os peemedebistas ganhariam mais um ministério, pois a vaga dele iria para o ex-deputado Henrique Eduardo Alves, na própria Aviação Civil ou trocando de lugar com Vinicius Lages, no momento no Turismo.
O PMDB subiria numericamente para oito ministérios (Mangabeira Unger é também peemedebista).
Como o PMDB não é de brincar com essas coisas, alguma coisa precisa ser explicada. O PMDB até brinca nesse terreno, como no momento com a proposta, que seus dirigentes querem que seja levada a sério, de reduzir o número atual de pastas de 39 para 20. É só jogo de cena, porém. Se fosse para valer, começaria entregando todos os cargos que tem para dar o exemplo.
Mas só as tergiversações de Padilha e do partido diante do convite quase convocação de Dilma, ante de pronunciarem o óbvio sim, já dão a dimensão da crise política que a presidente ainda vai enfrentar. Em outras circunstâncias, Padilha teria aceitado na hora, ali mesmo no Palácio Planalto, já marcando a data da posse. Ainda mais que a ida dele para as Relações Institucionais abre espaço para outro peemedebista no governo, o ex-deputado Henrique Eduardo Alves, sem criar melindres.
Imaginava-se que a manobra atenderia ao mesmo tempo, ao insaciável PMDB, a Renan Calheiros, que não abrir mão de ter o ministro Vinicius Lages, atualmente no Turismo, no primeiro escalão, e a Eduardo Cunha, padrinho de Alves para um ministério qualquer. Não comoveu um partido famoso por sua avidez ministerial.
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A recusa do PMDB expõe a solidão política da presidente. E demonstra na prática do desejo do PMDB de manter Dilma com as rédeas curtas no campo político. Os peemedebistas, discutiram a proposta e esnobaram a escolha. Eduardo Cunha, que poderia ser beneficiado com as mudanças, deu de ombros, dizendo que era uma opção de Dilma sobre a qual não queria opinar nem garantir nada.
Para completar, informa-se que o senador Roberto Requião recusou a sondagem/convite para assumir a liderança do governo no Congresso, ainda não preenchida no Dilma II. É a segunda recusa: Romero Jucá, que não é de recusar nada em nenhum governo, também abriu mão da honraria.
Dilma, aconselhada por Lula, está tentando abrir cada vez mais espaço para o PMDB. Com o convite público a Padilha, demitiu pela imprensa um dos seus homens de confiança, Pepe Vargas, um político errado, na hora errada no lugar errado. O que vai fazer agora com o amigo gaúcho?
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O PMDB percebeu que teria o ministério mas talvez não tivesse poder. O alvo tanto do PMDB quanto de Lula, é toda a composição da operação política do Palácio do Planalto. Vargas era segundo escalão, cumpridor de missões. Ganhou o ódio do PMDB porque agiu para derrubar a candidatura do partido à presidência da Câmara. Eduardo Cunha nem o recebia.
A arquitetura para derrubar a candidatura Cunha e também para tentar esvaziar o PMDB, via Gilberto Kassab (PSD-PL) e o breve Cid Gomes (Pros), porém, nasceu mais acima dele. Os dedos de Lula e do PMDB apontam diretamente para o chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante. E indiretamente para Dilma. O nó está no ministro.
Ao tentar abrir o governo mais para o PMDB Dilma fica apenas ainda mais nas mãos do partido. Mas sem conquistar seu coração. Já não está dando apenas o anéis, oferece agora os dedos. E tendo nos calcanhares um PT inquieto e em grave crise de identidade.