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“Não traia seu povo”: o discurso que constrangeu o premiê grego e “bombou” na internet

Na última quarta-feira, Tsipras foi ao Parlamento Europeu em busca de um acordo - e ouviu duras críticas de um deputado belga

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SÃO PAULO – Pelo menos no Brasil, a queda e a disparada da bolsa chinesa em poucos dias ofuscaram um pouco o cenário grego – e a euforia de que um acordo do país com credores ocorrerá em breve. 

Uma das primeiras sinalizações por um acordo que foram feitas pelo primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, aconteceu na última quarta-feira, no parlamento europeu.

Tsipras garantiu que iria apresentar propostas de reformas – o que realmente aconteceu, mas não sem divergências dentro do seu partido, o Syriza. “Nós reivindicamos um acordo com nossos vizinhos”, disse ele. “Mas um que nos dê um sinal de que estamos saindo de forma duradoura da crise, que vá demonstrar que existe luz no fim do túnel… Nosso principal objetivo tem que ser combater o desemprego e encorajar o empreendedorismo.”

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Porém, quem roubou a cena naquele dia foi o Guy Verhofstadt, um deputado no Parlamento Europeu que foi primeiro-ministro da Bélgica entre 1999 e 2008, e que fez duras críticas e sugestões a Tsipras. 

Verhofstadt fez um discurso repreendendo o primeiro-ministro grego, que ganhou destaque na mídia internacional, principalmente europeia: “[Tsipras] falou dos esforços a que os gregos foram sujeitos, e ele tem razão. Mas a questão é que a classe política grega não fez os esforços necessários. Estou chateado, tenho que dizer-lhe porque fala de reformas mas nunca vemos propostas concretas”, disse, perante o ar consternado de Tsipras.

O parlamentar ainda lembrou que não será ele nem ninguém presente no parlamento que irá pagar a dívida, “mas todos os cidadãos gregos”.

“Não traia o seu povo, Alexis. Porque 80% das pessoas querem ficar no euro. Mostre para eles e para nós que é um verdadeiro líder e não um falso profeta”, prosseguiu, em um discurso que pareceu causar grande desconforto ao premiê grego. 

O belga instou o grego a apresentar reformas mais detalhadas e deu sugestões, como acabar com o sistema clientelista das políticas gregas, reduzir o tamanho do setor público e acabar com os privilégios – dos militares, da Igreja Ortodoxa, das ilhas gregas e dos partidos políticos. 

“A escolha é simples: como o senhor quer ser lembrado? Como um ‘acidente eleitoral’, que fez o povo do seu país ficar mais pobre? Ou o senhor quer ser lembrado, senhor Tsipras, como um reformista real e revolucionário, na tradição de Venizélos, o grande líder do período entre guerras que modernizou o seu país, um liberal que modernizou o Estado?”  Verhofstadt é um velho conhecido da Grécia. Ele já tentou a presidência da Troika e já havia enfrentado Tsipras antes em defesa de mais privatizações no país. 

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Não sabemos se o discurso do belga surtiu algum efeito. Mas a verdade é que as novas propostas enviadas pela Grécia na quinta-feira aos credores – a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional – preveem aumento do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), bem como reformas nas pensões e na função pública, indo ao encontro das exigências do grupo. 

Confira o vídeo completo (em inglês):