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SÃO PAULO – Além de elevar a projeção para o PIB (Produto Interno Bruto) e cortar a inflação para este ano, o Banco Central apresentou em seu relatório trimestral de inflação, pela primeira vez, a sua expectativa para o IPCA dos anos de 2019 e 2020. O dado era um dos mais esperados pelo mercado, que já vê os contratos de juros futuros reagirem forte ao anunciado.
Os IPCAs esperados para 2019 e 2020 mostram convergência, a 4,2% e 4,1% respectivamente. Economista Flavio Serrano, do Haitong, disse à Bloomberg que o RTI está bem alinhado com a trajetória de queda da Selic: “Já existia a chance de Selic ficar abaixo de 7%, agora aponta que piso seria 6,5%”, disse Serrano. Para ele, a Selic permanecerá no mesmo patamar ao longo de 2018, começando a se aproximar de 8%, 8,5% no final do ano que vem ou início de 2019.
Para este ano, o BC revisou a inflação para 3,2%, ante 3,8% projetados no relatório de junho, enquanto para 2018 a expectativa é de que a taxa fique em 4,3%. Já no caso do PIB, a autoridade monetária elevou o dado de 0,5% para 0,7% em 2017, sendo que para o próximo ano a projeção passou para 2,2%.
Às 9h25 (horário de Brasília), os contratos de juros futuros com vencimento em janeiro de 2019 registravam forte queda de 6 pontos-base, para 7,29%, enquanto os de janeiro de 2020 tinham perdas de 8 pontos-base, a 8,07%. Já os contratos mais curtos, com vencimento em janeiro de 2018, recuavam 2 pontos-base, a 7,56%.
“O comportamento da inflação permanece bastante favorável, com diversas medidas de inflação subjacente em nível baixo, inclusive os componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária [definição da taxa básica de juros para atingir as metas de inflação prefixadas]”, diz o relatório.
Sobre a Selic, a autoridade monetária reforçou o recado dado após a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) deste mês, afirmando que “para a próxima reunião, caso o cenário básico do Copom evolua conforme esperado, e em razão do estágio do ciclo de flexibilização, o Comitê vê, neste momento, como adequada uma redução moderada na magnitude de flexibilização monetária”. “Além disso, nas mesmas condições, o Comitê antevê encerramento gradual do ciclo”, completa.
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“O crescimento do consumo tende a abrir espaço para a retomada do investimento à medida que a recuperação avance”, diz o Banco Central. Segundo a autoridade, entre outros fatores, a liberação dos recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) ajudou na alta do consumo nos últimos meses.