Não estamos sós

Não é só o Brasil que está na contramão; veja que outro país também subiu juros hoje

Inflação rondando o teto da meta, desvalorização cambial e falta de credibilidade do BC foram os motivos para este país elevar suas taxas de juro nesta terça

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SÃO PAULO – Não é só o Brasil que está na contramão do mundo, elevando as suas taxas de juros enquanto a maior parte dos países fazem relaxamento monetário para estimular o crescimento da economia. O Banco Central do Quênia (CBK, na sigla em inglês), decidiu nesta terça elevar os juros em 1,5 ponto percentual, para 10% ao ano, acima das expectativas do mercado. Dez dos treze economistas consultados pela Bloomberg tinham previsto um aumento de 1 p.p., e três tinham projetado 0,50 p.p.. Com isso, o país se juntou ao Brasil no seleto grupo de economias que estão subindo os juros este ano. 

Ao contrário do Brasil, no entanto, a reunião que resultou na decisão não tinha sido nem agendada, segundo disse o banco central à Bloomberg em um comunicado enviado por e-mail, nesta terça-feira. O Comitê de Política Monetária, que se reúne a cada dois meses, adiantou sua reunião de julho depois que o xelim afundou para o menor nível frente ao dólar desde novembro de 2011, ameaçando incentivar uma inflação que já ronda o teto da faixa-alvo do governo, de 2,5% a 7,5%. A moeda queniana se desvalorizou 7,3% frente ao dólar neste ano por causa de uma queda na receita obtida com as exportações de chá e com o turismo – os dois maiores geradores de receita em moeda estrangeira.

“Foi uma boa medida do CBK, oferecer mais do que o mercado estava buscando”, disse Razia Khan, diretora de pesquisa macroeconômica sobre a África do Standard Chartered Plc em Londres, por e-mail. “Isso ajuda a restabelecer a credibilidade anti-inflacionária do CBK e deveria ajudar o xelim queniano no curto prazo”. 

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Falar em “credibilidade” do Banco Central é, aliás, um assunto bastante conhecido dos brasileiros. Em 2012, o nosso BC derrubou os juros até 7,25% ao ano, mas diante do aumento da inflação quando a produtividade da nossa economia passou a ter um crescimento bem menor do que o dos preços, foi obrigado a entrar em vários ciclos de alta, levando a Selic para o patamar de hoje a 13,75%. A alta teve que ser mais forte porque a política anti-inflacionária dos últimos anos não foi até agora capaz de tirar a nossa inflação do patamar atual, em 8,17% ao ano, contra uma meta de 4,5%, com dois pontos percentuais para mais ou para menos.

No caso do Quênia, em maio, o medidor de inflação oficial do país chegou a 6,87%, ainda um pouco abaixo do teto da meta. 

A reunião do Comitê de Política Monetária nesta terça-feira foi chefiada por Haron Sirima, que é presidente interino do banco central desde que Njuguna Ndung’u pediu demissão da presidência em março. O presidente do país, Uhuru Kenyatta, nomeou Patrick Ngugi Njoroge, um assessor do FMI, para chefiar o CBK. Os legisladores ainda não confirmaram a nomeação.

(Com Bloomberg)