Não é hora de euforia e nem de desistir, diz Ágora; veja ações favoritas e esquecidas

De acordo com pesquisa, clima entre os investidores é de cautela, mas sem pânico

Lara Rizério

Ativos mencionados na matéria

Painel de cotações da B3 em São Paulo -19/10/2021 (Foto: REUTERS/Amanda Perobelli)
Painel de cotações da B3 em São Paulo -19/10/2021 (Foto: REUTERS/Amanda Perobelli)

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O ânimo diminuiu, mas isso não quer dizer que é hora de desistir da Bolsa brasileira.

Esta é a análise dos estrategistas da Ágora Investimentos destacada após pesquisa trimestral com investidores institucionais. “A bolsa brasileira é como uma estrada… Depois de acelerar bastante nos últimos meses, o motorista — no caso, os grandes investidores — decidiu reduzir a velocidade, olhar mais no retrovisor e apertar o cinto. Mas ninguém encostou o carro no acostamento nem desistiu do destino”, apontam os estrategistas.

Assim, o clima entre os investidores é de cautela, mas sem pânico.

A visão geral é de que a maioria dos gestores segue comprada em Brasil, com pouco dinheiro parado em caixa (sinal de confiança) e ainda acredita que os mercados emergentes vão performar melhor que os desenvolvidos.

Mas o tom mudou: “as apostas ficaram um pouco menores, o apetite por risco diminuiu e o entusiasmo com o real esfriou. Curiosamente, um fenômeno raro aconteceu: estrangeiros e brasileiros passaram a pensar de forma bastante parecida sobre o país, algo que não víamos há bastante tempo”, ressalta a Ágora.

No começo do ano, os investidores estrangeiros estavam bem otimistas, enquanto os locais ainda estavam pessimistas. Os “gringos” começaram a sair da Bolsa em abril, mas reduziram o fluxo de saída no fim do primeiro semestre, enquanto os investidores institucionais foram compradores líquidos de ações brasileiras em junho.

Para a Ágora, é” como se os dois grupos, que costumavam discutir o caminho, tivessem finalmente concordado com o GPS — cada um, claro, com seu estilo próprio de dirigir (o estrangeiro gosta de empresas de crescimento; o local prefere empresas mais baratas e maduras)”.

Os investidores, no momento, estão se abrigando em setores mais defensivos: bancos, elétricas e telecomunicações concentram mais de dois terços das preferências. Com juros altos por mais tempo e ruído fiscal no radar, esses setores oferecem receitas previsíveis e bons dividendos — o equivalente financeiro a um guarda-chuva confiável.

Do outro lado, consumo e cíclicos domésticos, como varejo, construção, viagens, foram deixados de lado. E é neste cenário que pode haver uma oportunidade contrária.

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Olhando sobre o que está movendo o ponteiro agora, a Ágora aponta que a eleição está em primeiro lugar.

Dois em cada três investidores apontam o pleito como o maior catalisador do mercado, e três em cada quatro dizem que o risco fiscal é a maior preocupação. Já o ciclo de juros, que dominou as conversas por meses, virou coadjuvante. Os economistas da casa projetam a Selic terminando o ano em torno de 13,75%, enquanto o mercado está mais pessimista, precificando apenas um corte adicional, levando-a aos 14%.

“Essa desconexão é uma das razões pelas quais achamos que há prêmio na mesa: quando o mercado exagera no pessimismo, uma surpresa positiva costuma valer muito – ajustes como da sexta-feira passada (10), após um IPCA mais fraco, exemplificam este cenário”, avalia.

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Ações favoritas e esquecidas

Olhando para as ações preferidas, Itaú (ITUB4) aparece como unânime — tanto brasileiros quanto estrangeiros elegeram o banco como o preferido. Vale (VALE3), por outro lado, é a menos querida do momento.

Fora essas duas pontas, cada grupo seguiu um caminho, segundo a pesquisa: investidores brasileiros abandonaram a Petrobras (PETR4) em massa: a preferência despencou de 23% para apenas 4% em um trimestre.

Já estrangeiros “redescobriram” o Nubank (BDR: ROXO34). Isso porque, depois de o papel andar de lado, a preferência saltou de 5% para 19%.

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Nomes como Sabesp (SBSP3), BTG Pactual (BPAC11), C&A (CEAB3), Smartfit (SMFT3) e Pague Menos (PGMN3) apareceram como as “descobertas” mais mencionadas fora do óbvio.

“Assim, se tivéssemos que resumir o momento em uma frase: o Brasil está barato, mal humorado e prestes a receber notícias melhores do que o mercado espera. Nossa bolsa negocia a um dos menores múltiplos do mundo (cerca de 8 vezes os lucros esperados), a curva de juros parece exagerada no pessimismo, e os lucros das empresas mostram resiliência apesar do ambiente adverso”, avalia.

Assim, os estrategistas destacam que o recado para o investidor é simples: “não é hora nem de euforia, nem de desistir”.

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Os especialistas veem que, no momento, faz sentido uma estratégia “barbell” — combinar, na medida certa, papéis mais ofensivos, que se beneficiam de eventuais quedas de juros e do aquecimento do mercado de capitais (como BTG e XP – BDR: XPBR31) e nomes de crescimento (como Nubank e Rede D’Or – RDOR3), com uma dose de defensivos pagadores de dividendos (como Itaú e Equatorial – EQTL3) para atravessar a volatilidade que naturalmente virá com a eleição.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.