“Nada é tão ruim que não possa piorar”: como Ormuz tem distorcido mercado de petróleo

Risco de bloqueio no Estreito de Ormuz sustenta prêmio no petróleo e favorece petroleiras, enquanto mercado ainda aposta em normalização rápida da oferta, que pode não acontecer

Lara Rizério

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Navios cargueiros e petroleiros no Estreito de Ormuz, ao largo da costa de Musandam, Omã, em 18 de abril de 2026. REUTERS/Stringer REFILE - QUALITY REPEAT TPX IMAGES OF THE DAY
Navios cargueiros e petroleiros no Estreito de Ormuz, ao largo da costa de Musandam, Omã, em 18 de abril de 2026. REUTERS/Stringer REFILE - QUALITY REPEAT TPX IMAGES OF THE DAY

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A continuidade da crise no Estreito de Ormuz — uma das principais rotas energéticas do mundo — tem potencial para manter os preços do petróleo em patamares elevados por mais tempo do que o mercado projeta atualmente, avalia a Genial Investimentos em relatório. O cenário, segundo a casa, tende a favorecer empresas do setor, como Petrobras (PETR4) e PRIO (PRIO3).

De acordo com a análise, o estreito — responsável pelo escoamento de cerca de 20% da produção global de petróleo — segue como um dos principais pontos de risco para a oferta mundial da commodity. A interrupção prolongada da passagem, em meio às tensões geopolíticas envolvendo Irã e Estados Unidos, já exerce impacto relevante sobre os preços.

Assim, para a Genial, “nada é tão ruim que não possa piorar”. Apesar do aparente ambiente de “normalidade” mesmo com o brent aos US$100/barril, o risco da continuidade do fechamento do estreito de Ormuz ainda representa um grande risco de crise energética para todo o planeta.

Desde o início de 2026, o barril do Brent, referência internacional, saiu de cerca de US$ 66 para picos próximos de US$ 138, refletindo o temor de desabastecimento no mercado físico. Ainda assim, a Genial destaca que os preços futuros continuam indicando uma expectativa relativamente otimista de normalização da oferta no curto prazo — o que pode sinalizar complacência dos investidores.

Diferença entre mercado físico e contratos futuros

Na prática, observa a casa, há uma diferença relevante entre os preços do mercado físico e os contratos futuros. O prêmio pago pela entrega imediata sugere que participantes do setor veem riscos mais elevados do que aqueles embutidos na curva, apostando que o equilíbrio atual depende de medidas temporárias.

Entre esses mecanismos de ajuste, estão a liberação de estoques estratégicos, redução de atividades de refino, redirecionamento de fluxos comerciais e até destruição parcial da demanda diante da alta de preços. No entanto, segundo a Genial, tais medidas não são capazes de substituir de forma estrutural a oferta perdida do Golfo Pérsico.

Outro ponto de atenção destacado pela análise é a redução dos estoques globais de petróleo, que limita a capacidade de resposta a choques prolongados de oferta. Em um cenário de bloqueio persistente, o risco é de aperto mais intenso no mercado e pressão adicional sobre os preços.

Nesse contexto, o relatório aponta que empresas de exploração e produção, especialmente aquelas com exposição ao mercado internacional e custos mais baixos, tendem a se beneficiar do ambiente de preços elevados. É o caso de companhias brasileiras como Petrobras e PRIO, que podem capturar margens maiores com o barril mais caro.

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Por outro lado, a Genial alerta que o principal risco está na possibilidade de resolução diplomática rápida, o que poderia normalizar o fluxo pelo estreito e provocar correção nos preços da commodity. Ainda assim, enquanto persistirem as incertezas geopolíticas, o chamado “tic-tac” de Ormuz deve continuar influenciando diretamente o comportamento do mercado global de energia.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.