Na véspera da decisão do Fomc, representantes do Fed ainda divergem

Autoridade monetária dos EUA corre o risco de pausar o ciclo de aperto monetário e permitir a aceleração da inflação

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SÃO PAULO – É véspera de reunião do Fomc, comitê de política monetária do Federal Reserve, mas os presidentes dos bancos centrais regionais norte-americanos ainda não apresentam um discurso coeso acerca de qual deverá ser o futuro da taxa básica de juro norte-americana.

Enquanto Janet Yellen do Fed de São Francisco afirma que a Fed Funds Rate já está em um patamar restritivo, Jeffrey Lacker, do Fed de Richmond, acredita que o atual nível do juro básico, de 5,25% ao ano, ainda pode estar estimulando a economia.

No curto prazo maioria aposta na manutenção

A despeito da divergência entre as opiniões, grande parte do mercado está apostando na manutenção do atual nível da taxa na próxima quarta-feira, e dados recentes de inflação corroboram esta percepção. Contudo, ainda restam dúvidas sobre qual será o comportamento da autoridade monetária em períodos mais longos.

No início da semana, o índice de preços ao consumidor (CPI) mostrou leve aceleração da inflação em relação ao mês anterior, mas ficou dentro das estimativas dos analistas. Em linha com este quadro, o PPI, que mede a inflação ao produtor norte-americano também ficou abaixo do esperado e em linha com a variação do mês anterior.

Mas as incertezas quanto a períodos mais longos ainda rondam os mercados do mundo inteiro e cada índice divulgado que possa dar algum sinal sobre a atividade econômica norte-americana ou o nível de preços é acompanhado de perto e aguardado com expectativa. As tensões permanecem, apesar de, no curto prazo, a percepção ser de manutenção do juro básico.

Fed corre o risco de parar e permitir aceleração da inflação

O Fomc já elevou os juros 17 vezes desde de junho de 2004 e o momento é de cautela, uma vez que a autoridade monetária corre o risco de interromper o ciclo de alta dos juros sem que a inflação esteja efetivamente sob controle, mas permitindo a aceleração do crescimento econômico, ou manter a restrição monetária em busca de preços estáveis, mas comprometendo o crescimento econômico do país.

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A busca por uma taxa de juro neutra, que não estimule a aceleração da inflação e permita um crescimento econômico saudável para o país é a principal busca da autoridade monetária, todavia, não há um acordo sobre qual seria este nível. Alan Greenspan, ex-presidente do Fed, que ficou no cargo por 19 anos, afirmou meses antes de se aposentar que “é impossível saber com alguma certeza” qual seria este patamar.