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SÃO PAULO – Teoricamente, o mercado “entra” em Bear Market quando acumula 20% de perda. Conceitualmente, Bear Market é o termo utilizado para designar uma tendência de baixa. Como a recíproca é verdadeira, Bull Market relaciona ganho de 20% ou mais. As bolsas já acumulam mais do que isto; então, conceitualmente, podemos falar em tendência de alta?
Na teoria, já estamos em Bull Market. Do início de março até aqui, o Ibovespa acumula quase 27% de valorização. Lá fora, tanto Dow Jones quanto Nasdaq e S&P 500 somam mais de 20% de alta no mesmo período. Na teoria estamos, mas na realidade ainda sobra dúvida para se falar que o Bear Market ficou para trás, ou para falar com confiança em tendência positiva. Pode ser mero rali de Bear Market, um repique antes de perdas mais profundas.
Toda a discórdia vem da tal “consistência” deste rali. Muitos não enxergam motivos suficientes para afirmar que a tendência realmente inverteu, para falar em sustentabilidade dos ganhos. Outros acreditam que enquanto o debate se desenrola, a oportunidade de aproveitar as altas vai passando, afinal, o pior pode ter ficado para trás.
Sem motivo para rali
Questionado a respeito, Antônio Carlos Vieira Góes, gerente técnico da Senso Corretora, disse ao final da semana passada não estar “vendo nenhum fator que sustente estes 45 mil pontos”. A economia oferece alguns sinais de melhora, mas suficientes para tamanho rali?
É fato que a bolsa deve antecipar os movimentos da economia, então a recuperação econômica tende a ser verificada antes no mercado. No entanto, a questão é que a economia não oferece sinais de melhora, e sim de ritmo de piora menos acentuado. É a aposta da consultoria Raymond James.
“Por nossas contas, deve vir no quarto trimestre [a recuperação da economia], mas a maioria dos indicadores econômicos deve começar a melhorar a partir de agora, exceto os números de emprego”, argumenta.
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Vai mesmo na dúvida
Na apresentação do último Employment Report, Bill Stone, estrategista chefe da PNC Wealth Management, disse que “não há esperança por números bons. Para Wall Street, as expectativas são tão baixas que não o indicador não choca”. Stone resumiu o fato de o indicador ter vindo horrível para a economia real, mas ser interpretado positivamente pelo mercado.
Os diferentes pontos de vista questionam a sustentabilidade deste movimento de alta do mercado, que vai adiando a realização de lucros. Alguns formadores de opinião relutam em assumir o rali como tendência positiva, entre eles Nouriel Roubini, Bob Doll
e George Soros. Mas a bolsa vai acumulando ganhos mesmo na dúvida.
História desacreditada
Para a equipe da First Trust Advisors, boa parte das opiniões sobre o atual momento vem de associações com nuances do passado, com padrões históricos do mercado. No entanto, a instituição bate na tecla de que a história, neste caso, não é referência consistente.
Robert Stein, economista sênior da FTA, cita que muitos comparam o movimento atual aos ralis de 1933 ou de 1907, mas para lembrar de apenas um fator de desequilíbrio, hoje tem Federal Reserve. A aposta da First Trust é com impulso na liquidez, as medidas do Fed podem fornecer a base para uma recuperação, desta vez, mais vigorosa.
Seja Bull ou Bear
Respeitando a opinião de cada um, vale algumas dicas para cada investidor, aí sim, escolher seu lado: rali de Bear Market ou Bull Market? As dicas são do colunista Barry Ritholtz.
> Bull X Bear
> Economia X Mercado
> Topo X Fundo do poço
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Bull X Bear
Siga as ordens: os negócios de um investidor inteligente são muito diferentes no Bear Market e no Bull Market.
No Bull, as oportunidades são ações com múltiplos baratos. Suas ordens de venda são decepcionantes, pois os preços fatalmente irão subir depois.
No Bear, você vende os ralis; altos preços são oportunidades de vender ações a múltiplos caros. A maioria das compras desaponta, pois os preços fatalmente vão mais para baixo depois.
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Em resumo, a meta no Bull Market é ampliar seu capital e a meta no Bear Market é proteger seu capital.
Economia X Mercado
No Bull Market, os sinais de alerta são ignorados pelo mercado. Como exemplo o último Bull, de outubro de 2007: entre outras coisas, se apostava que o restante do mundo, principalmente emergentes, descolaria da desaceleração dos Estados Unidos.
Recentemente, quatro indicadores foram interpretados por Wall Street com otimismo. Para Ritholtz, quem olhar para eles nas entrelinhas (ISM Index, New Home Sales, Existing Home Sales e Non Farm Payroll) verá que foram todos terríveis.
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È preciso entender a diferença entre a economia estar efetivamente melhorando de sinais de que ela está piorando de maneira mais lenta.
Topo X Fundo do poço
Em alguns casos, comprar no “fundo do poço” e vender no topo pode não ser a melhor estratégia. Ritholtz citou casos na bolsa norte-americana em que mesmo comprando determinada ação na mínima e vendendo na máxima, o lucro foi praticamente zero em termos reais – descontando os efeitos da inflação.
Outra questão é que direcionar a estratégia apenas para o fundo do poço pode engessar os investimentos, uma vez que não há como saber antes do verdadeiro fundo do poço e do verdadeiro topo, se realmente é o fundo do poço ou o topo. Apenas “seja mais conservador quando os riscos forem elevados e mais agressivo quando forem menores”, é a dica de Ritholtz.