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A manchete do jornal “O Globo” de hoje dá o retrato dramático da indústria brasileira e da situação do emprego no país neste momento: “Indústria em crise já demitiu 50 mil este ano”. O fraco movimento do Dias das Mães neste fim de semana mostra o retrato também nada bom do comércio.
Os dois formam uma radiografia completa, quase ao vivo e em cores, da complicada situação da economia brasileira – de uma recessão que tende ainda a se aprofundar. O Banco Central divulga esta semana o IBC-Br de março e do primeiro trimestre, considerado, com alguns desvios, uma prévia do PIB. A previsão da maior parte dos analistas o índice deverá ficar próximo a menos 1%.
Os analistas consultados pelo Banco Central para o Boletim Focus elevaram sua previsão negativa para o PIB esta semana de 1,18% para 1,20%, Há quatro semanas era de menos 1,01%. Para o Departamento Econômico do Itaú a queda deve ser de 1,5%,
As contas das demissões na indústria apresentadas pelo “Globo” só pegam os grandes setores. No total da indústria no país inteiro deve estar bem mais alta. Além disso, não entram nesta conta, obviamente, os milhares de empregados em lay off, licença remunerada temporária, um quadro que pode levar a mais demissões caso a economia não deslanche. Somente na indústria automobilística são 17 mil trabalhadores nessa situação.
A reportagem de Lino Rodrigues no jornal carioca diz que os fatores mais citados pelos principais setores que estão desempregando para o corte de vagas são a inflação alta, a queda do consumo e as incertezas quanto ao alcance do ajuste fiscal do ministro Joaquim Levy.
Para o economista do Dieese, entidade ligada aos sindicatos de trabalhadores, Clemente Ganz Lucio, “o nível de desemprego, a persistir esse quadro, deve ficar dois ou três pontos acima do ano passado. Isso significa que o desemprego medido pela PNAD Contínua, hoje em 7,9% pode passar dos 10% até o fim do ano”.
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Dia das Mães decepciona
No comércio o ambiente não é melhor.
Três indicadores divulgados ontem por diferentes entidades mostram que as vendas na semana do Dia das Mães, a segunda melhor semana de vendas para o comércio no ano, foram menores do que em 2014.
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A explicações são mais ou menos as mesmas da indústria para o desemprego: inflação alta com aumento do desemprego, baixo nível de confiança do consumidor e taxa de juros ascendente.
A Serasa Experian, que acompanha as vendas à vista e a prazo, registrou queda de 2,6% no número de consultas em comparação ao mesmo período do ano passado. Foi a primeira retração de vendas por ocasião do Dia das Mães em 13 anos, quando a empresa especializada em informações econômico-financeiras começou a acompanhar as vendas da data.
Para a Boa Vista SCPC, a queda foi menor comparada à registrada pela Serasa. O total de consultas para vendas a prazo e à vista na semana do Dia das Mães recuou 1,2% em relação a 2014.Também foi a primeira retração de vendas para a data desde 2008, quando o indicador começou a ser apurado.
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De acordo com a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e o SPC Brasil, as consultas para vendas financiadas no Dia das Mães deste ano tiveram o segundo recuo consecutivo.Neste ano caíram 0,60% em relação a 2014, depois de terem recuado 3,55% no ano anterior.
As expectativas para o Dia dos Namorados não são mais alentadoras. Todos os setores do comércio estão revisando suas previsões para o ano. Não se fala, ainda, de um modo geral, em queda do movimento em relação ao ano passado. Mas há “desconfianças” que 2015 pode ser o pior ano para o varejo em quase uma década.
Concessões adiadas
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Informam a “Folha de S. Paulo” e o “Valor Econômico” que o governo adiou de quinta-feira para a primeira semana de junho o anúncio de seu novo plano de concessões, que a presidente Dilma Rousseff queria apresentar com pompa e circunstância, como uma forma de mostrar que seu segundo governo não está paralisado. O pacote de concessões é avaliado em R$ 150 bilhões.
O motivo do adiamento foi em razão de alguns pontos do programa ainda não terem sido definidos, entre eles como serão os financiamentos dos projetos, uma vez que os bancos públicos, especialmente o BNDES, não serão mais tão generosos como o foram até agora. Está pegando também a definição da rentabilidade do negócio, essencial para atrair interessados nos leilões.
O pacote, além de necessário para melhorar a infraestrutura logística do país, no curtíssimo prazo ajudará à equipe econômica a fechar com mais facilidade as contas públicas com a dos recursos pagos pelos concorrentes para levar a exploração dos serviços.
Por fim, imagina o governo, os leilões atrairão novamente os investidores externos e servirão para diminuir o baixo astral que ronda a economia, como uma demonstração de confiança no Brasil.
Um adiamento desses, de última hora, depois de governo ter trombeteado a medida e até realizado uma reunião de nove horas com um conjunto de ministros para discutir os projetos, sempre gera dúvidas em relação a uma administração que tem ainda uma ala muito resistente às concessões de serviços nos moldes que estão sendo montadas agora, mais para o modelo adotado pelo governo Fernando Henrique Cardoso e menos no modelo Lula/Dilma dos últimos anos.
Fica sempre uma ponta de dúvida: o governo mudou por convicção ou apenas porque está com a corda no pescoço?
ATENÇÃO para a situação das universidades públicas, consequência da crise financeira dos governo, federal e estaduais: (1) Unicamp prevê o dobro do déficit de 2014 e planeja mais cortes; (2) Universidade Federal de São Paulo tem R$ 7,5 milhões em contas a pagar; (3) atraso no pagamento a terceirizados causa paralisação na Universidade Federal do Rio de Janeiro. A crise é mais ou menos generalizada nas escolas superiores púlicas. No plano federal, o ajuste fiscal já está pegando o setor de educação. A aprovação de pedidos de financiamento do Fies no primeiro semestre caiu quase pela metade em relação do ano anterior. As aulas do Pronatec ainda não foram iniciadas por falta de recursos.
Outros destaques dos jornais do dia
– PETROBRAS – A reunião do Conselho de Administração da Petrobras do dia 6 de fevereiro, onde foi aprovado o nome de Ademir Bendine para substituir Graça Foster na presidência da empresa, foi marcada por bate-boca e reclamação de três conselheiros da forma como foi conduzida a escolha. O clima tenso foi revelado em gravações do encontro. Os conselheiros souberam do nome de Bendine por meio da imprensa, antes mesmo de o ministro Guido Mantega, presidente do órgão, os ter informado. Mantega, aliás, demonstrou intimidade com o futuro presidente da companhia, chamando-o por Dida, apelido pelo qual Bendine é conhecido no governo. Os três conselheiros que votaram contra a indicação de Bendine e dos diretores substitutos foram Silvio Sinedino Pinheiro (representante dos trabalhadores), José Guimarães Monforte e Mauro Rodrigues da Cunha.
– PETROLÃO – Primeiro a depor na CPI da Petrobras, o doleiro Alberto Youssef voltou a afirmar nesta segunda-feira que o Palácio do Planalto sabia dos desvios para pagamento de propina na Petrobrás. Os deputados foram incisivos na pergunta: o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff sabiam do esquema criminoso? “Sim. Esta é uma opinião minha”, respondeu o doleiro, em Curitiba (PR), onde ocorre uma nova etapa dos depoimentos. Um dos delatores do petrolão, Youssef disse que, “em determinado momento, houve um racha no Partido Progressista (PP) e essa situação foi parar no Palácio do Planalto”. Questionado pelos parlamentares, Youssef apontou como alguns dos contatos no governo os ministros Ideli Salvatti, à época chefe da Secretaria de Relações Institucionais, e Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência.
– SUPREMO/NOVO MINISTRO – A presidente Dilma Rousseff se mobilizou nesta segunda-feira para garantir no Senado a aprovação do jurista Luiz Edson Fachin para integrar o Supremo Tribunal Federal (STF). Na véspera da sabatina de Fachin na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa, Dilma convidou o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), para acompanhá-la na viagem a Santa Catarina, onde compareceu ao velório do senador Luiz Henrique (PMDB-SC), morto anteontem. No avião, ela abordou a aprovação de Fachin com Renan. A preocupação principal de Dilma, segundo testemunhas da conversa dela com Renan, é garantir a vitória no plenário do Senado, onde são necessários 41 votos favoráveis para a aprovação de uma indicação ao STF. Mas a mobilização começa hoje, com a sabatina na CCJ.
– O PSDB provou duas trocas na composição da Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ) para a sabatina nesta terça-feira do jurista Luiz Edson Fachin para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Na dança das cadeiras, o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) assumiu como titular no lugar do senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o líder do partido no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), assumiu no lugar do senador José Serra (PSDB-SP). O terceiro titular na CCJ é o senador Antônio Anastasia. Mas o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) disse que votará como relator da matéria. O seu voto no relatório foi favorável.
– JUROS – O cenário de maior inflação, aumento de juros e expectativa de maior inadimplência levaram a um novo aumento dos juros do cartão de crédito. A alta de abril, a terceira seguida neste segmento, fez a taxa chegar a 12,14% ao mês ou 295,48% ao ano, o que significa dizer que uma dívida de R$ 1.000 no cartão se transforma, 12 meses depois, em R$ 3.954,89. Essa é a modalidade de crédito mais cara para a pessoa física, segundo levantamento da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac). Essa taxa média de juros cobrada no cartão é a maior desde março de 1999, quando chegou a 13,45% ao mês, o equivalente a 354,63% ao ano. Das seis linhas de crédito pesquisadas, todas tiveram suas taxas de juros elevadas no mês: crediário; cartão de crédito rotativo; cheque especial, CDC financiamento de veículos; empréstimo pessoal em bancos; e empréstimo pessoal em financeiras. Com todas essas altas, a taxa de juros média da pessoa física passou de 6,71% ao mês (118,00% ao ano) em março deste ano para 6,77% ao mês (119,48% ao ano) em abril, o maior valor desde julho de 2011.
E mais:
– “Caixa segura novos negócios imobiliários” (Estadão)
– “Governo quer mais recursos do FGTS para financiar casa” (Folha)
– “Governo rejeita socorro ao setor imobiliário” (N.R. – refere-se à sugestão (“Primeiras” de ontem) de liberar o compulsório) – (Valor)
– “Governo veta revisão do fator previdenciário” – Valor
– “Projeto do Senado libera guerra fiscal, diz consultor” – Valor
LEITURAS SUGERIDAS
1. José Casado – “O governo no telhado” (diz que o governo Dilma está parado antes de recomeçar) – Globo
2. Editorial – “Mediocridade automotiva” (critica o acordo automotivo do Brasil no Mercosul) – Estadão
3. Celso Ming – “Depois que piorar, melhora” (diz que a recessão só tende a se aprofundar daqui para frente) – Estadão
4. Jânio de Freitas – “Passos além” (comenta a proposta de Renan Calheiros de nova sabatina e nova aprovação dos ministros do Supremo que ficarem na corte depois dos 70 anos) – Folha
5. Vinicius Torres Freire – “Menos pessimismo com a inflação” (comenta as previsões do boletim Focus, com a queda das expectativas de inflação para 2016) – Folha
6. Delfim Netto – “Por que não começar o ano de 2017” (analisa a ineficiência do Estado brasileiro) – Valor
7. Raymundo Costa – “Descolando da presidente Dilma” (diz que as prioridades do PT hoje são a defesa do partido e manter a coesão da base social) – Valor