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SÃO PAULO – A internacionalização das empresas nos últimos anos contribuiu com a elevação do número de conflitos internos nas equipes, principalmente, em relação aos aspectos culturais. Empresas estrangeiras que decidiram abrir escritórios no Brasil, como a Motorola e a Philips, por exemplo, se depararam com um cenário econômico e cultural totalmente distinto dos seus países de origem.
Conflitos internos se tornaram inevitáveis
Dessa forma, os conflitos internos se tornaram inevitáveis, o que acaba colocando em risco a produtividade, e até mesmo a saída de profissionais talentosos do quadro de funcionários da companhia.
Em busca de alternativas para minimizar o número de conflitos nas equipes, o economista Marc Burbridge e a psicóloga Denise Manfredi, decidiram realizar um estudo visando identificar o perfil dos brasileiros nos momentos dos conflitos.
Segundo o estudo, os brasileiros, tanto homens quanto as mulheres, são mais concessivos e evasivos no momento do conflito. Foram entrevistados cerca de 109 profissionais, que atuam nas áreas financeiras, de serviços, de tecnologia e farmacêutica, a maioria pertencente ao MBA da Business School São Paulo (BSP).
Brasileiros são concessivos e evasivos na hora da briga
O resultado da pesquisa mostra que 27% dos executivos são concessivos enquanto 28% das mulheres foram classificadas com a mesma característica. Na avaliação dos dois pesquisadores, um profissional com perfil concessivo prefere resolver a questão o mais depressa possível, mesmo que isso implique abrir mão da sua opinião.
Embora esse perfil seja ideal dentro de uma empresa, os pesquisadores ressaltam que se o conflito não for solucionado de modo eficiente, o mesmo pode voltar à tona mais tarde, o que pode acarretar na saída do profissional da empresa. Às vezes, o melhor a se fazer quando existe um problema na empresa, é “colocar tudo em pratos limpos”, ao invés de ficar ignorando a questão.
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A característica de ignorar o conflito, classificada pelos pesquisadores como evasiva, também está presente no perfil dos executivos brasileiros, em 22% dos homens e 19% das mulheres. Em seguida, foi destacado o perfil cooperativo, que ressalta que a união faz a força, presente em 21% dos executivos e em 21% das executivas.
Mulheres são mais competitivas
Já o perfil acomodado, ou seja, aquele executivo que prefere pensar primeiro nos outros e depois em si mesmo, foi destacado em 16% dos executivos e em 15% das profissionais mulheres. Finalmente, a característica competitiva, que consiste naquele profissional indicado nos conflitos mais difíceis, como reestruturação da empresa e redução do quadro de funcionário, não faz parte da maioria dos executivos brasileiros.
Essa característica foi verificada em apenas 14% dos executivos e em 17% das mulheres, sendo que o fato de as mulheres serem mais competitivas que os homens ressalta uma mudança no ambiente corporativo nos últimos anos, em que as mulheres estão batalhando cada vez mais para conseguirem um lugar de destaque na corporação.
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“Jeitinho brasileiro” “
Por fim, a pesquisa revela que os brasileiros são mais concessivos na hora do conflito, ou seja, aquele tradicional “jeitinho brasileiro” ainda impera nas mesas de negociação. O problema dessa característica ocorre no momento de unir profissionais de culturas diferentes em uma mesma equipe, principalmente, os norte-americanos, que são mais competitivos e acomodados que os brasileiros.
Na opinião dos pesquisadores, é preciso entender e buscar aprender a conviver com essas características distintas dos profissionais, especialmente, diante de um cenário de internacionalização das companhias. Contudo, ambos destacam que se os conflitos se tornarem visíveis, é necessário uma atitude enérgica de forma a acabar com isso antes que esses problemas acabem afetando o clima organizacional da empresa.