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SÃO PAULO – Uma das variáveis mais importantes na hora de se investir é o prazo.
A grande dificuldade reside no fato de que a definição de curto, médio e longo prazo varia muito de pessoa para pessoa, o que pode levar a tomada de decisões erradas na hora de investir.
A importância do prazo na decisão de investimento é clara, mas, de maneira simplificada, podemos dizer que, quanto maior o prazo que você tem para investir, menor será o esforço que terá que incorrer para alcançar o mesmo objetivo.
Mais prazo, mais risco?
Porém, o prazo também é importante por outra razão: quanto maior o prazo que você dispõe para manter uma aplicação, maior pode ser o perfil de risco da aplicação que irá escolher.
A razão para isso é simples. Caso você venha a sofrer perdas devido à volatilidade da aplicação, terá tempo para se recuperar delas. Isso já não acontece se o prazo que dispõe para investimento é curto, pois neste caso você corre o risco de quando precisar sacar ainda estar acumulando perdas.
É por isso, por exemplo, que para quem está interessando em investir em ações recomenda-se um prazo de investimento longo.
Carga tributária muda com prazo
Se definir o prazo é importante porque ajuda na tomada de decisão quanto ao tipo de risco que se pode incorrer, na maioria dos países o prazo também determina o tipo de tributação que será aplicado.
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No Brasil, por exemplo, desde o final de 2004, quando foi introduzida uma nova legislação tributária, passou a se adotar alíquotas decrescentes de acordo com o prazo de investimento tanto nas aplicações em renda fixa quanto nas de previdência.
A exceção fica por conta das aplicações financeiras isentas, como é o caso da poupança, e das aplicações em ações e fundos de ações, nas quais a alíquota de IR incidente nos ganhos é única de 15%. Sob a legislação anterior essa diferenciação não acontecia e se aplicava uma alíquota única de 20%.
Diante das novas regras de tributação, definir o prazo passou a ser uma decisão que o investidor precisa tomar antes de aplicar o dinheiro, pois tem implicações significativas no retorno que poderá obter. Basta ver que na renda fixa, por exemplo, enquanto a alíquota para quem saca em até seis meses é de 22,5%, no mesmo tipo de aplicação, se o prazo de investimento superar 24 meses, a alíquota cai para 15%!
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Para se ter uma idéia, assumindo fundos de natureza semelhante, cuja carteira tenha um retorno bruto de 1% ao mês, isso significa que, no primeiro caso, o retorno líquido da aplicação seria de 0,775% enquanto no segundo de 0,85%. Considerando que muitas vezes existe pouca, ou mesmo nenhuma diferença, na alocação dos recursos, é o prazo e, consequentemente, o imposto que define o retorno a ser obtido.
Definindo: curto, médio e longo prazo
Por mais que exista muita discordância sobre o tema, considerando a realidade do mercado de capitais brasileiro, e o perfil dos investidores, pode-se afirmar que na hora de investir um prazo inferior a 12 meses pode ser considerado de curto prazo.
Falar de um ano como sendo curto prazo, para alguém que opera no mercado de day-trade da Bovespa, por exemplo, pode parecer absurdo, mas é importante entender também que definir curto prazo como sendo seis meses, implica naturalmente considerar qualquer prazo acima disso como sendo médio prazo, o que não parece justificável!
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Para isso basta ver que, na renda fixa, as alíquotas só caíram em relação à legislação anterior para prazos superiores a 12 meses, o que, sugere que esse período teria sido usado como referência do que é curto prazo. Por médio prazo entenda-se algo que supere 12 meses, mas seja inferior a 60 meses. Finalmente, longo prazo é o período que supera os cinco anos. É a partir desse prazo que os investimentos em previdência, por exemplo, se beneficiam de uma alíquota de 20%, ou seja, se alinham com a alíquota que anteriormente era cobrada.
Ainda que sua percepção de prazo seja distinta, é importante ao menos considerar essas referências acima, senão no seu planejamento, ao menos porque acabam tendo um impacto significativo na sua carga tributária.