Na defensiva: com elétricas instáveis, quais opções que sobram na bolsa?

Apesar do cenário conturbado para as empresas de energia, analistas apontam outras alternativas, como CCR, BR Malls e Souza Cruz

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SÃO PAULO – Apesar de as ações de companhias ligadas à geração, transmissão e distribuição de energia elétrica não deixarem de ser vistas como defensivas, a espera pela decisão do Governo em relação ao processo de renovação de concessões de energia traz uma volatilidade maior ao setor, o que pode levar o investidor mais conservador a buscar alternativas dentre as empresas desta mesma categoria.

Entre essas alternativas, analistas destacam companhias ligadas a setores não-cíclicos e que podem se beneficiar com a expectativa de aumento de consumo e investimentos em infraestrutura, principalmente por conta da organização de grandes eventos, como a Copa do Mundo em 2014 e Olimpíadas do Rio de Janeiro em 2016.

Vale destacar que ações reconhecidas como defensivas são aquelas que normalmente fazem parte de um grupo empresas com demanda inelástica e menos atreladas ao desempenho da economia. Em outras palavras, são ações pertencentes a empresas que independem do bom apetite do mercado pelo consumo para mostrar boa performance, como é o caso do próprio setor de energia, de saneamento, rodoviários e aeroportuários, entre outros.

Alternativa no setor de utilidade pública
O analista Jason Vieira, da Cruzeiro do Sul Corretora, concorda que a forte volatilidade das ações do setor de energia exige cautela do investidor e destaca que outras companhias também ligadas a área de utilidade pública podem ser alternativas neste momento. “Ações ligadas ao fornecimento de água e gás tornam se alternativas consideráveis nestas ocasiões”, explica.

Entre elas, o analista da Trader Brasil, Leandro Klem cita a Sabesp (SBSP3). “Esta é um exemplo de empresa que sofreu forte correção e analisando graficamente pode buscar a sua máxima histórica entre R$ 92,70 e R$ 93,00, tornando-se, assim, uma alternativa interessante no setor de utilidade pública”, afirma, lembrando que os papéis da companhia paulista de saneamento apresentam a melhor rentabilidade do Ibovespa em 2012 – alta de 73,9%, até o fechamento da última terça-feira (4).

Souza Cruz e concessões rodoviárias
O analista da Trader Brasil, Leandro Klem, destaca ainda a Souza Cruz (CRUZ3) quando consideradas empresas com perfil conservador. “Ninguém vai parar de fumar em momentos de maior incerteza do mercado e é isso que garante o bom desempenho das ações da Souza Cruz e os seus dividendos atrativos”, explica.

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Outro setor apontado como alternativa é o de concessões rodoviárias, com destaque para a CCR (CCRO3) e Ecorodovias (ECOR3), que podem ser alternativas em períodos de maior turbulência do mercado, tendo em vista que a receita delas obtida com pedágios está atrelada à oscilação dos índices de preços, o que garante uma “proteção natural” contra inflação.

Atenção também para incorporadoras
As construtoras fazem parte de um segmento que não se isenta da forte volatilidade do mercado e, por conta disso, estão longe de serem reconhecidos como defensivos. Contudo, algumas empresas como a BR Malls (BRML3) e Iguatemi (IGTA3) são exemplos de incorporadoras que tendem a ganhar destaque. 

No entanto, o que garante a citação de ambas como alternativas no setor defensivo é o fato de grande parte de suas receitas terem origem de aluguéis dos shopping centers. “Esta característica coloca a companhia entre alternativas vistas à forte volatilidade do setor elétrico”, explica João Pedro Brugger, da Leme Investimentos.