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O ministro da economia da Argentina, Ricardo López Murphy anunciou ontem à noite a sua renúncia ao cargo, após ter proposto um ajuste fiscal composto por medidas extremamente impopulares e ter ocupado o cargo por apenas duas semanas. A renúncia de Murphy marca o regresso de Domingo Cavallo ao governo, onde assumirá a mesma pasta que ocupou no governo de Carlos Menem – o Ministério da Economia.
O pacote anunciado por Murphy propunha a contenção de US$ 4,4 bilhões em gastos públicos por dois anos, através de cortes de verbas para educação, fim de programas de saúde pública e restrição de aposentadorias. Como conseqüência, sindicatos e trabalhadores marcaram uma greve geral para quarta-feira, a oposição vetou o aumento de poder que Fernando De la Rúa requeria para aprovar medidas chaves na reestruturação econômica do país, e por fim a base governista sofreu um forte abalo. Além de tudo, a Argentina sofre pelas perspectivas negativa colocadas pelas agências de risco e pela previsão de não alcançar as metas acordadas com o FMI.
O pacote financeiro, que não agradou as bases do governo de Fernando de la Rúa, e a nomeação de Domingo Cavallo como ministro, tornaram a situação de Murphy bastante delicada no ministério. O estilo de condução de políticas econômicas de Murphy e de Cavallo é totalmente diferente, o que vinha dando maior fôlego aos rumores de uma possível incompatibilidade entre eles; entretanto, poucos acreditavam que este desfecho aconteceria tão cedo. A partir de hoje Cavallo, pai da lei de convertibilidade que vincula o peso ao dólar desde 1991, será responsável pela condução da economia do país.
O terremoto político que a Argentina enfrenta influencia o mercado brasileiro, reflentido principalmente na taxa de câmbio, que ontem atingiu a maior cotação desde a implantação do real, de R$ 2,177. Para segurar a alta da moeda o Banco Central decidiu ofertar NBC-Es de seis meses, títulos indexadas ao dólar. Apesar disso, apenas cerca de 25% do total ofertado foi efetivamente vendido, o que indica que grande parte da alta da moeda norte-americana se deve a especulação, e não a maior procura por hedge.