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Multa recorde da J&F pode ser apenas o começo; Petrobras é top pick do Morgan, Vale elevada pelo HSBC e mais notícias

Confira os destaques do noticiário corporativo desta quarta-feira (31)

JBS
(Bloomberg)

SÃO PAULO – O grande destaque do noticiário corporativo desta quarta-feira fica para o acordo de leniência recorde fechado entre o MPF e a J&F – mas novas punições podem estar no radar. Recomendações, com destaque para a elevação da Vale pelo HSBC, também chamam a atenção. Confira os destaques desta quarta-feira (31):

JBS (JBSS3)

Procuradores do Ministério Público Federal e representantes da J&F, controladora da JBS, fecharam na noite de terça-feira as bases de um acordo de leniência que prevê o pagamento de multa recorde no valor de 10,3 bilhões de reais em 25 anos por atos praticados por empresas controladas pela holding, informou a Procuradoria da República no Distrito Federal.

A multa, a maior já fixada para um acordo desse tipo no país e no mundo, foi estipulada após cinco propostas rejeitadas que foram apresentadas anteriormente pelo grupo controlador da JBS ao Ministério Público. A primeira delas era no valor de 700 milhões de reais e a última, antes de o acordo ser fechado, foi de 8 bilhões de reais. 

O acerto incluiu fatos que são investigados por procuradores da República em cinco operações: Greenfield, Sépsis, Cui Bono, Bullish e Carne Fraca. O documento ratificando o acordo, segundo comunicado da Procuradoria, será assinado nos próximos dias, após a conclusão das discussões das cláusulas do acordo. 

A leniência da J&F prevê que, do total a ser pago, 8 bilhões de reais serão divididos pelos seguintes órgãos e instituições nas respectivas proporções: Funcef, fundo de pensão da Caixa (25 por cento); Petros, fundo de pensão da Petrobras (25 por cento); Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Socialo (BNDES) (25 por cento); União (12,5 por cento); Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) (6,25 por cento); e Caixa Econômica Federal (6,25 por cento). Os 2,3 bilhões de reais restantes da multa do acordo, segundo o comunicado, serão pagos por meio de projetos sociais, especialmente nas áreas de educação, saúde e prevenção da corrupção. 

Contudo, as perdas para a empresa podem não parar por aí, conforme informa o Estadão. Segundo o jornal, a maior empresa de proteína animal do mundo tem pela frente uma maratona de processos, investigações e, consequentemente multas que, na pior das hipóteses, podem chegar a R$ 31 bilhões, mais do que o valor de mercado da empresa, que no final do pregão de ontem, na Bolsa, foi avaliado em R$ 21 bilhões. Além dos R$ 10,3 bilhões do acordo de leniência, estão possíveis  R$ 15 bilhões por suposto ágil artificial gerado na fusão da empresa com o Grupo Bertin, até R$ 510 milhões que podem ser aplicadas pela CVM se comprovado que a empresa fez uso de informação privilegiada para comprar dólar antes da divulgação da delação da JBS, o que causou uma esticada na cotação do dólar. Além disso, estados estão  fazendo pente-fino em benefícios fiscais concedidos à empresa. Em três deles, o valor fiscal discutido soma R$ 3,3 bilhões, considerando apenas dados abertos ao público. 

Petrobras (PETR3: PETR4)
A Petrobras informou na noite de ontem que obteve decisão favorável no Tribunal Regional Federal, com a manutenção de uma sentença da Justiça Federal de Sergipe sobre a venda de sua participação na Liquigás.

A venda da Liquigás à Ultragaz, subsidiária da Ultrapar, no valor de R$ 2,8 bilhões, foi aprovada em assembleia geral extraordinária da Petrobras, conforme fato relevante de 31 de janeiro.

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Ainda sobre a estatal, a Folha de S. Paulo informa que os sócios da estatal na empresa de sondas Sete Brasil que já deram início a processos de arbitragem internacional pedem R$ 4,475 bilhões em ressarcimento por perdas com o investimento. A Petrobras diz que os processos de arbitragem são sigilosos e, por isso, não há informações sobre a identidade dos reclamantes. Mas a Folha apurou que, dentre eles,  estão alguns dos principais fundos de pensão do país, como a Previ, a Valia e a Funcef. 

Recomendações

O HSBC elevou a recomendação para a Vale (VALE3;VALE5) para compra, com preço-alvo de US$ 10,50 por ADR (American Depositary Receipt). Já a PetroRio (PRIO3) foi elevada pelo Morgan Stanley para equalweight (exposição em linha com a média), com preço-alvo sendo elevado de R$ 18,00 para R$ 37,40.  O mesmo banco colocou a Petrobras e a YPF como top pick do setor de petróleo. Sobre a Petrobras, o banco destacou o portfólio como resiliente, enquanto os custos do pré-sal são bastante competitivos. A Ecopetrol teve sua recomendação rebaixada. 

Cielo (CIEL3)

O Congresso vetou um dos trechos da lei que regulou o ISS (Imposto Sobre Serviços, de competência dos municípios). Com isso, o imposto que incide sobre operações financeiras (cartão de crédito, débito, leasing, entre outros) e planos de saúde será recolhido no local de prestação do serviço, não na cidade-sede das empresas.

Conforme destaca o BTG Pactual, essa decisão vai adicionar uma complexidade grande para o negócio da Cielo. “Por outro lado, para os novos entrantes vai ser ainda mais complicado fazer esses ajustes”, o que pode ser bom para o incumbente, destaca o banco.

 

Banco do Brasil (BBAS3)

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Segundo a Coluna do Broad, do Estadão, o Banco do Brasil deu alguns passos em relação à venda de uma fatia no argentino Patagônia. Em paralelo segue tocando um possível re-IPO, uma vez que a instituição já tem ações listadas. Ao longo deste mês, o BB teve reuniões com os três players interessados no banco, diz o jornal: Itaú Unibanco, Banco Bilbao Vizcaya Argentaria (BBVA) e Macro. No entanto, estão previstas para julho encontros com investidores sobre a oferta de ações do argentino. Por ora, o IPO segue como o mais provável.

 

Usiminas (USIM5)
Em entrevista para a Bloomberg, o CEO da Usiminas, Sergio Leite, disse que a companhia espera finalizar em 2 meses as discussões para reestruturar seus bonds de 2018, sendo uma opção a de adiar o pagamento de janeiro. Segundo Leite, discussões sobre bonds são o último passo no processo de reestruturação de dívidas.

Aliansce (ALSC3)

A Aliansce Shopping teve aval do Cade à compra de cotas do Fundo CTBH. A operação pela qual a Aliansce reincorpora o
“Boulevard Corporate Tower”, empreendimento localizado em Belo Horizonte, é aprovada sem restrições pelo Cade, segundo decisão publicada no Diário Oficial e site do conselho. O negócio ocorre mediante a compra de cotas do CTBH FII, fundo de investimentos imobiliários administrado pela Intrag e gerido
pela Kinea, ambas sociedades integrantes do grupo Itaú Unibanco, segundo documento do Cade. O valor não é citado nos documentos regulatórios.

Plascar (PLAS3)
A Plascar informou que seu início à renegociação de seu endividamento bancário. Segundo comunicado, a empresa assinou um contrato de standstill junto aos principais bancos credores.

A companhia dará início às cotações para contratação, em prazo não superior a 20 dias, de um assessor financeiro dentre as opções indicadas pelos credores. Tal assessor deverá, num prazo máximo de 30 dias, realizar uma completa análise e emitir um parecer conclusivo sobre o
plano de recuperação do endividamento bancário para ser validado junto aos bancos credores e executado pela companhia.

O contrato standstill terá vigência pelo prazo de 60 dias, podendo ser prorrogado por mais 30 dias. Durante a vigência, a Plascar realizará em favor dos bancos credores pagamentos mensais em valor idêntico para todos para amortizar os contratos das dívidas que são objeto do plano.

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BrasilAgro (AGRO3)
A BrasilAgro vendeu 918 hectares da Fazenda Araucária, localizada no Município de Mineiros (GO). Considerando as terras que não podem ser direcionadas à produção, a área total negociada chega a 1,36 mil hectares. Segundo a companhia, o valor da venda é de R$ 17 milhões, o equivalente a 280 sacas de soja por hectare útil ou R$ 18.535 por hectare. O comprador pagará 35% do preço total no primeiro ano e o saldo remanescente será quitado em cinco parcelas anuais iguais.

(Com Reuters, Bloomberg e Agência Estado)